terça-feira, 7 de agosto de 2012

Aconteceu no mundo: Tesouros da Síria estão sob ameaça de virar pó


Fonte: O Globo 
Tesouros históricos da Síria — entre castelos, mesquitas, igrejas, museus, mosaicos romanos e as famosas Cidades Mortas — estão sendo saqueados e destruídos por rebeldes armados e milícias do governo, em meio ao combate que assola o país. Ontem, em comunicado, o Conselho Nacional Sírio (CNS), a principal coalizão da oposição, acusou o Exército de bombardear as sedes das instituições públicas que formam parte do patrimônio arquitetônico de Aleppo. A cidade é uma das mais antigas do mundo e o centro histórico tem um “valor universal inestimável”, segundo a Unesco. Ao Norte de Aleppo, em Azaz, que foi palco de batalha na época das Cruzadas, destroços de mesquitas são vistas ao lado de carcaças de blindados.

Relatos citam danos irreparáveis para o patrimônio do Oriente Médio. Até a magnífica fortaleza de Krak des Chevaliers, a 65 quilômetros da cidade de Homs, descrito por Lawrence da Arábia como “talvez o castelo mais bem preservado e admirável do mundo”, foi bombardeada pelo Exército sírio, danificando o interior de sua capela, após ser ocupada por rebeldes.

A destruição do patrimônio do Iraque durante a invasão anglo-americana de 2003 — do Museu Nacional, da Biblioteca do Alcorão e de antigas cidades sumérias — pode estar se repetindo agora na Síria. Relatórios de arqueólogos sírios e de especialistas ocidentais da Idade do Bronze falam de um templo assírio arruinado em Tell Sheikh Hamad, que seria uma das fortalezas mais importantes da Cruzada no Levante, além de saques aos magníficos mosaicos romanos de Apamea, onde os ladrões teriam usado escavadeiras para retirar pisos.

Rebeldes armados buscam refúgio atrás das grossas paredes de castelos, mas descobrem que o Exército sírio não hesita em destruir edifícios históricos para atingir seus inimigos. Batalhas foram travadas no meio das chamadas Cidades Mortas, formadas por centenas de povoados abandonados no Noroeste do país e que tem remanescentes da arquitetura cristã bizantina.

— A situação do patrimônio da Síria, hoje, é catastrófica — afirma Joanne Farchakh, uma arqueóloga libanesa que também investigou a devastação do patrimônio no Iraque. — Um dos problemas é que muitos monumentos de pedra foram instalados em jardins externos, em parte para provar que o regime sírio era forte o suficiente para protegê-los. Agora, os museus foram saqueados — por rebeldes e milícias do governo — e antiquários relatam que mercados da Jordânia e da Turquia estão inundados com artefatos da Síria.

O Mosteiro de Sednaya foi atingido por morteiros, que danificaram um prédio do ano 574. A mesquita Umayyad, em Deraa, também foi atingida. O saque e a destruição estão por todos os lados, com ladrões que entram quando a segurança se evapora.

— As velhas igrejas, as velhas ruas de Homs, podemos esquecer. Elas não existem mais — diz Joanne.


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