segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Perguntas e Respostas: Muito em pouco tempo – o primeiro erro do viajante


Eu recebi por e-mail um roteiro bem detalhado (hora-a-hora!) para uma estadia de cinco dias em Paris. Junto a este roteiro, veio um pedido de uma viajante assídua (e bota assídua nisso!) e leitora do Cruzando Fronteiras, pedindo uma ajuda para convencer uma amiga a alterar o planejamento de suas férias. O roteiro que recebi era um detalhamento, hora por hora, dos cinco dias em Paris – começando às sete da manhã e indo até o final da noite – sem nenhuma hora de folga. Uma maratona frenética que poderia cansar qualquer um. Além disso, os planos desta amiga incluíam também passar oito dias viajando por Londres, Amsterdam e Bruxelas. Segue abaixo o e-mail que recebi e a resposta que enviei. Quem sabe pode ser útil para outros leitores? E não se esqueçam, continuem enviando seus e-mails, com dúvida, perguntas e sugestões!

 Oi Luiz, tudo bem? Me diga se fazer esse roteiro de cinco dias em Paris e conhecer quatro países (londres, paris, amsterdam e bruxelas) em treze dias não é uma loucura e ao invés de férias pode virar um pesadelo? Tenho uma minha amiga quer fazer isso que apelidei de "tentativa de suicídio" e eu não tenho mais argumentos pra convencê-la do contrário. Quero saber se ela é sã ou se sou eu mesmo que sou devagar e preguiçosa quando estou de férias... Beijão, obrigada! Larissa.

Oi Larissa, tudo bem? Eu analisei rapidamente o roteiro da sua amiga e a programação que ela fez para os cinco dias que pretende passar em Paris e concordo com você.

Antes de qualquer outra coisa, eu não sou muito a favor de uma programação hora-a-hora de uma viagem. Afinal, ninguém gosta de passar umas férias tão engessadas assim. Se fosse para seguir um passo-a-passo tão apertado e inflexível desta maneira, é melhor contratar um pacote na CVC, não é? Acho que é fundamental permitir um pouco de liberdade aos seus dias, sem aquela obrigação de chegar ao Louvre em tal horário e sair duas ou três horas mais tarde para a próxima atração. Eu concordo que Paris é uma cidade com tantos atrativos e tantos locais para se visitar que um roteiro básico é fundamental para que o viajante não se perca ou acabe esquecendo um ou outro museu ou igreja. Mas acho que é melhor apenas fazer uma lista geral de interesses e atrações, talvez agrupando os locais que ficam em uma mesma região, e ir riscando os itens enquanto for visitando. Um bom guia sempre ajuda, é claro.

O que me preocupou um pouco, também, nos planos de sua amiga foi a intenção de visitar quatro das principais capitais européia em apenas treze dias. Principalmente porque dentre essas quatro estão Londres e Paris! O roteiro não está dos mais corridos (afinal, já vi tanta coisa por aí!), mas um viajante poderia perfeitamente passar os treze dias de viagem em apenas uma dessas cidades. Ou então, seria perfeitamente normal dividir essas duas semanas entre as duas capitais. Mas, no mínimo, recomenda-se reservar cinco dias para cada uma. E mesmo isso pode ser pouco para tantas atrações, principalmente no caso de Paris. Aumentar o período em Paris para seis dias, reduzindo um dia de Londres pode ser uma alternativa – dependendo, é claro, dos interesses de cada um.

Sendo assim, sobrariam apenas três dias do roteiro, para visitas à Amsterdam e Bruxelas – sem contar com o tempo gasto em deslocamentos. Como Amsterdam também é uma cidade bem interessante, acho que ela poderia passar os três dias restantes na capital holandesa, principalmente porque Bruxelas, ao contrário, não é uma cidade assim tão cheia de atrações.

Cortando uma cidade do roteiro, as coisas ficariam um pouco melhores, e o roteiro, mais calmo.

Não sei se essa é a primeira viagem à Europa desta sua amiga. Mas tentar ver tudo em tão pouco tempo é o principal erro de quem viaja pela primeira vez, principalmente quem vai à Europa, onde a proximidade entre os países parece ser uma tentação grande demais para se resistir. Mas vale sempre lembrar que muitas das melhores lembranças das minhas viagens não estão nas atrações turísticas, e sim no tempo que passei perambulando pelas ruas, ou a manhã que perdi sentado num banco de praça ou numa mesa de café, observando o dia-a-dia dos moradores locais. Reduzir o ritmo é sempre uma boa pedida, assim como conhecer também as pequenas cidades e vilarejos – não se restringindo às movimentadas capitais, tomadas por turistas de todo o mundo.

Um comentário:

  1. perfeito!!! vc tb é um ótimo expert em dar bons conselhos! ;)

    ResponderExcluir