sábado, 8 de outubro de 2011

Festival do Rio 2011: para viajar sem sair da cidade

Para os cariocas apaixonados por viagens, mas que não podem largar tudo e fugir por aí – pelo menos por enquanto – uma boa alternativa é aproveitar o Festival do Rio, mostra internacional de cinema que começou nessa sexta feira e vai até o dia 19 de outubro, para viajar sem sair da cadeira do cinema.
Com uma incrível variedade de filmes, a mostra traz para os cariocas – e os brasileiros – alguns filmes de culturas distantes, que dificilmente encontrariam espaço no concorrido circuito de cinema da cidade. São filmes latinos, africanos, asiáticos e também europeus, que mostram um outro lado do cinema que nem sempre temos oportunidade de assistir.
Ontem consegui sair um pouco mais cedo do trabalho e aproveitar uma sessão dupla no Centro Cultural da Justiça Federal. Lá estavam sendo exibidos filmes africanos, numa exibição que aproveitou uma excelente dobradinha com a espetacular exposição sobre a vida e a obra de Abdias Nascimento, pintor, poeta, escritor e professor brasileiro, o maior nome na luta pelos direitos dos negros no Brasil, e um apaixonado pela cultura africana.
A primeira sessão começou às 16h30, com o documentário Uma Eleição Africana: Gana vai às Urnas. Dirigido pelo suíço Jarreth Merz, que passou parte da sua vida em Gana, o filme acompanha os tensos momentos da eleição presidencial de 2008, que marcaram a segunda mudança democrática de poder na história do país. Através das trajetórias dos principais candidatos, partidos políticos, militantes e de depoimentos dos próprios cidadãos, revela-se o clima de efervescência no país com impressionantes cenas de multidão. O empate técnico no primeiro turno e a tentativa do partido da situação de desviar os resultados no segundo turno levam a um quase desastre, com todos os ânimos elevados e alguma violência.
Às 19h, com um pequeno atraso, foi exibido o filme ruandês Massa Cinzenta (Matière Grise, no original), dirigido pelo jovem diretor Kivu Ruhorahosa (que estava presente na sala de exibição, timidamente apresentou o filme e respondeu a perguntas no final da sessão). Foi um filme tenso, marcado por momentos de violência e lembranças dolorosas do terrível período de guerra civil que destruiu o país e matou centenas de milhares de pessoas. A obra narra a história do jovem ruandês Balthazar, que pretende fazer um filme sobre o genocídio chamado The Cycle of the Cockroach. Sua idéia é contar a história de uma mulher que sobrevive a terríveis atos de crueldade e acaba internada na mesma instituição mental que o homem que os cometeu. Mas a premissa não é bem recebida pelos investidores, que encorajam Balthazar a realizar um filme que conscientize a população sobre a AIDS. Frustrado, ele resolve não contar nada à equipe e continua o projeto. Mas depois de um ensaio, cenas do roteiro começam a se materializar na vida real.
Os filmes foram muito bons, não apenas pela qualidade das obras (que não decepcionaram), mas também pela rara oportunidade de apreciarmos filmes africanos, que retratam de forma real, e em primeira mão, a vida nesse continente esquecido e maltratado. Ambos serão exibidos novamente no Festival, então vale a pena ficar de olho na programação.

Hoje, com certeza tentarei assistir a mais alguns filmes, apesar da esperada lotação das salas nesse primeiro sábado de exibição. E certamente voltarei com novas impressões para compartilhar!

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