segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Perguntas e Respostas: Sugestão de roteiro para o Marrocos – duas semanas


Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Olá amigo, o que sugere para um roteiro de duas semanas, começando e terminando por Casablanca? Muito obrigado. Newton.

Newton, bom dia! Com duas semanas à disposição, é possível fazer muita coisa no Marrocos. Não vai dar para ver tudo, é claro, mas acho que você vai conseguir uma boa impressão do país, do povo marroquino e da cultura berbere.

Um roteiro, porém, depende muito dos interesses de cada um. O que você procura nessa viagem? Cidades históricas? Belezas naturais? Experiências culturais? Gastronomia? Acho que um roteiro é sempre algo muito pessoal. Então, leia abaixo minha sugestão, mas não deixe de procurar conhecer mais sobre o país e as principais cidades e destinos turísticos. Assim, você pode adaptar a sugestão que eu te passei, acrescentando ou substituindo algum local por outro do seu interesse. No final, o importante é montar uma viagem com a sua cara!

Começando por Casablanca, vale a pena passar um dia na cidade, para conhecer as principais atrações, em especial a grande mesquita Hassan II, uma das maiores do mundo – e uma das raras no país abertas a visitantes não-muçulmanos. Mas não perca muito tempo em Casablanca. Existem outros locais que merecem mais dos seus preciosos dias!

Partindo de Casablanca, pegue um trem e vá para Fez, uma importante capital imperial marroquina, com sua Medina histórica incrivelmente preservada. Com tantas atrações, vale a pena ficar pelo menos uns três ou na cidade. Com esse tempo, vai ser possível também fazer um day-trip para as ruínas romanas de Volubilis e a cidade sagrada de Moulay Idriss.

A partir de Fez você pode embarcar em um ônibus noturno e, pela manhã bem cedo, chegar à pequena vila de Merzouga, bem aos pés das grandes dunas no Saara. Reserve um bom Riad (eu fiquei em um excelente chamado Riad Mamouche) e peça para te buscarem no ponto de parada dos ônibus. Os próprios proprietários do Riad vão organizar uma noite no deserto – uma experiência incrível e imperdível!

Você pode retornar à Fez e de lá ir para a bela cidade de Chefchaouen, perdida nas montanhas, impressionantemente preservada e conhecida pelas suas ruelas de tons azuis, certamente merece uns dois dias – um prazo ideal para se descansar e conhecer calmamente a sua riqueza cultural e histórica.

De lá, tome um trem noturno para Marraquexe, provavelmente o principal objetivo (e uma das mais impressionantes experiências) de sua viagem. Se perca pelo labirinto da Medina. Se encante com o charme da Praça Djema El-Fnaa (mas cuidado com os encantadores de serpentes!). E não deixe de experimentar a comida local! Uma cidade como Marraquexe merece no mínimo três dias inteiros – quem sabe quatro, se você dispuser de mais tempo. Acho que seria uma excelente forma de finalizar o seu roteiro.

Além dessas, existem muitas outras cidades que certamente merecem uma visita – como a linda vila costeira de Essaouira, e a milenar cidade-fortaleza de Ait-Benhaddou, incrustada nas montanhas e no meio da antiga rota dos mercadores berberes. Mas, como disse anteriormente, tudo depende dos seus interesses. Se possível, consiga um bom guia (em sempre recomendo o Lonely Planet), e leia bastante sobre o país. Ah, e não caia na tentação de ver tentar ver tudo em duas semanas. Infelizmente, temos que fazer escolhas – opte pelos locais que você tem mais interesse e veja com calma, saboreando o lugar, a cultura e o povo.

Passeie pelo blog. Eu já postei muita coisa sobre o Marrocos, inclusive outras sugestões de roteiros. E não deixe de ler o relato de minha viagem de 17 dias pelo país! E qualquer outra dúvida, é só me escrever!


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Tailândia, Vietnã e Camboja: o planejamento continua. E agora só faltam dois meses!


Com a data da viagem chegando (agora falta um pouco mais de dois meses!) e o planejamento tomando cada vez mais o meu (pouco) tempo livre, confesso que ando meio sumido aqui do blog. Mas não se preocupe! Continuo respondendo aos e-mails e em breve publicarei aqui no site o roteiro final dessa minha próxima aventura. Já está quase tudo certo para a viagem! Comprei o bilhete de avião entre Bangkok e Hanói (pela companhia low-cost Air Asia) e, no momento, estou buscando as últimas informações sobre hospedagem em Hanói e em Hue. E vendo também alguns detalhes sobre os passeios e tours na região.

Outro detalhe que eu já acertei foi a hospedagem em uma fazenda de arroz (www.phong-nha-cave.com), numa região próxima a cidade de Don Hoi (no centro do país) e ao lado das famosas cavernas de Phong Nha e do Parque Nacional de mesmo nome (um Patrimônio Mundial da UNESCO). Apenas pelas duas fotos que ilustram esse post, é possível ter uma ideia da maravilha que é o local! Ah, como eu desejo que esses 64 dias passem logo!! 

Mas assim que estiver tudo pronto, publico o roteiro final para os seus comentários e sugestões!

Tenham paciência que a viagem está chegando! E, é claro, quando estiver viajando irei publicar aqui tudo o que eu for fazendo, o meu dia-a-dia e as minhas impressões sobre os países da região. Além de muitas fotos, é claro!

Continuem a visitar o Cruzando Fronteiras e eu prometo continuar atualizando sempre que possível!


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Perguntas e Respostas: Comentários sobre uma viagem ao Peru


Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Luiz, boa tarde! Tomei conhecimento de sua disposição em prestar informações às pessoas que pretendem viajar para o Peru. Assim, necessito de algumas dicas, tendo em vista que pretendo viajar para aquele país no mês de julho/12. Todas as viagens que fiz para o exterior, sempre foram na companhia de amigos que já conheciam o local, e de certa forma me serviam de guia. Para o Peru, pretendo ir apenas com a família – mulher e um casal de filhos, o que tem gerado algumas preocupações. Meu roteiro é o seguinte: chegar a Cuzco e permanecer ali, por 04 dias para conhecer Machu Picchu e outros locais próximos. Após, partir de ônibus para Puno e lá permanecer por aproximadamente 03 dias para conhecer o Lago Titicaca e adjacências. Seguir de ônibus para Arequipa e lá permanecer por aproximadamente 04 dias para conhecer a cidade e outros locais de destaques. Seguir para Lima, também de ônibus, e ficar na capital por uns 03 dias, encerrando assim o percurso. Gostaria de saber o seguinte: o percurso escolhido está bom, você tem outras sugestões? Você poderia enumerar quais os pontos turísticos “imperdíveis” de cada cidade que indiquei? A quantidade de dias que reservei para cada local é suficiente? Você poderia indicar hotéis ou pousadas com preços acessíveis em cada cidade que enumerei? Julho é realmente frio na região que pretendo visitar? Há algum local que possamos encontrar neve? Me disseram que devo comprar roupas apropriadas para o frio quando chegar ao Peru – é verdade? Luiz, desculpe-me se exagerei na quantidade das perguntas, mas pude observar que você tem bastante conhecimento do local e poderia me prestar informações úteis e confiáveis. Abraços, Adilson Clemente.

Adilson, bom dia! Inicialmente, não se preocupe com a quantidade de perguntas! Nessa fase de planejamento das nossas viagens, é normal ficarmos com tantas dúvidas. E, no que eu puder ajudar, será um prazer colaborar com o seu roteiro. E se, mesmo após essa minha resposta, algumas dúvidas persistirem, não se preocupe: me escreva novamente e, juntos, vamos montando um roteiro legal para as suas férias.

A princípio, acho que os dias que você alocou para cada cidade estão equilibrados. Em alguns casos, há até alguma folga, mas que pode ser útil para você fazer uma viagem mais tranqüila e com menos pressa – principalmente porque você viajará com a família. Porém, se fosse fazer alguma mudança, eu retiraria um dia de Puno (que é uma cidade bem pequena e sem muitos atrativos além de uma visita às ilhas flutuantes do Titicaca) e acrescentaria um dia em Cuzco (que, ao contrário, é uma cidade incrível, com muitas atrações e encantos). Assim, você ficaria cinco dias em Cuzco, dois em Puno, quatro em Arequipa e, finalmente, outros três em Lima.

O seu plano, pelo que entendi, é fazer todo o transporte entre as cidades de ônibus. A princípio, é possível seguir essa idéia, sem muitos problemas. Apenas leve em consideração que o trajeto entre Arequipa e Lima é bastante longo, podendo chegar a 16 horas de viagem! Se o seu orçamento permitir, considere percorrer esse trecho de avião, assim você economizaria um precioso tempo e evitaria o suplício de passar tanto tempo dentro de um ônibus. Os vôos internos no Peru não são caros, então vale a pena pesquisar essa alternativa. Para os demais trechos, o ônibus é a melhor opção. Entre Cuzco e Puno, são aproximadamente seis horas. E, entre Puno e Arequipa, algo em torno de dez horas (opte por um ônibus noturno, pois assim você economiza tempo e o custo da hospedagem).

Para a pesquisa de hotéis, eu sempre utilizo o site Trip Advisor (www.tripadvisor.com). Lá, você encontrará facilmente diversas opções de alojamento, para todos os estilos e orçamentos.  Eu estive no Peru em julho e agosto de 2007, então as críticas e recomendações do site estarão muito mais atualizadas do que as que as dicas que eu poderia te passar.

Sobre atrações, e o que fazer em cada cidade ou região, vale a pena acessar o site Wikitravel (www.wikitravel.org). Lá, você poderá ler sobre cada cidade do seu roteiro, os melhores locais para visitar e conhecer, além de dicas de restaurantes, transportes, etc. Além disso, tente adquirir um guia do Peru. Eu sempre levo um guia nas minhas viagens e considero isso fundamental para que eu possa aproveitar ao máximo o país que estou visitando. O meu guia favorito é o Lonely Planet, mas existem muitos outros disponíveis, alguns em inglês outros já traduzidos. Procure algum que encaixe com o seu estilo de viagem e leve junto com vocês na viagem.

Em relação ao clima, realmente faz um pouco de frio no inverno peruano. Mas nada com que se preocupar muito. Leve roupas de frio, ou então compre quando chegar em Cuzco – vai sair bem mais barato do que comprar no Brasil (eu até agora uso casacos que comprei durante minha visita ao Peru e à Bolívia). Gorros, luvas e cachecóis também são bem baratos e uma ótima compra no país – até mesmo para trazer de presente. Apesar de ser uma época de frio, não acho que você encontrará neve durante a sua estadia, já que nevar não é muito comum na região (devido ao clima seco do altiplano peruano).

Bom, espero ter ajudado um pouco! Se tiver alguma outra dúvida, outra pergunta, é só escrever! Abraços, Luiz.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Perguntas e Respostas: Dirigindo até o Kruger – Late Arrival


Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Oi Luiz! Estou indo para a África do Sul e chegarei a Johanesburgo às 12h30, portanto acho que não chego ao Kruger a tempo de pegar os portões abertos! Pois ainda terei que pegar malas e o carro que vou alugar! Então vi que possuo três opções: passar a noite em Johanesburgo e no outro dia cedo ir para a Kruger; ir em direção ao Kruger e dormir em algum lugar o mais próximo possível de algum portão; ou ir para o Kruger e fazer o esquema de "Late arrival" e assim poder entrar no parque até as 21h00 nos portões com campos até 10 km de distancia. A terceira seria a melhor opção o problema é que não consegui até agora descobrir como contrato este negócio de "Late arrival" e nem quanto custa! Vou no início de novembro, então estou correndo contra o tempo! Ah, eu no dia 07, e já volto no dia 11, pela manhã! Obrigada, Ticiane.

Ticiane, bom dia! Ah, não são muitos dias para conhecer um local tão grandioso como o Kruger. Mas qualquer tempo no parque é um tempo bem aproveitado!


Como você tem poucos dias disponíveis, acho que deveria ir direto para o parque (se conseguir um campo disponível próximo ao portão de entrada) ou então para alguma cidade nas proximidades (acho que existem várias opções a escolher), apenas para se preparar e entrar no parque no dia seguinte logo cedo (cedo mesmo, tipo 5h30 da manhã). Dessa maneira você conseguiria aproveitar uns dois dias e meio no parque, o que não é muito, mas vai dar para você sentir o gostinho do Kruger! E, com certeza vai querer voltar para conhecer mais!

Em relação ao late entry, de acordo com informações do site oficial, o custo é de 150 rands por veículo, mas apenas para alguns campos específicos, e até as 21h (o que eu acho seria suficiente para você, mesmo contando com eventuais atrasos).

Se você conseguir fazer a reserva em algum desses campos (eu recomendo o Skukuza, se for possível), acho que pode valer a pena. No momento da reserva, tente informar o seu horário previsto de chegada para que o transporte seja organizado com antecedência. Mas, de qualquer forma, parece que a cada 30 minutos (entre o fechamento do portão e as 21h) alguém acompanha os veículos até do portão até o campo.

Para maiores informações, veja esse link:  http://www.sanparks.org/parks/kruger/get_there/default.php

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Frase da Semana


“Remember that happiness is a way of travel – not a destination.”

                                         Roy M. Goodman, político americano (nascido em 1930)



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Perguntas e Respostas: Marraquexe é uma cidade cara?


Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Quero ir pra Marrakech, gostaria de saber se as coisas lá são caras? Tipo, um prato, água, deslocamento, as coisas em geral são caras em relação ao Real? E qual a moeda lá? Quantos dias são suficientes pra conhecer Marrakech? Agradeço!

Olá! Marraquexe em particular, e o Marrocos em geral, não são locais caros. Mas é claro que os seus gastos vão depender muito do estilo de viagem que você está planejando. Em relação à hospedagem, existem opções desde as mais baratas (e mais simples) até o mais luxuoso dos Riads (e mesmo um Club Med, às portas da Medina). Os valores, é claro, acompanham a enorme diferença de qualidade.

Eu fiquei acomodado em um Riad excelente, a poucos metros da Praça. Não era muito barato (custava 70 Euros para o casal). Mas, pelo luxo e, principalmente, pelo excelente serviço, acho que foi um bom negócio.

Em relação à alimentação, a mesma coisa acontece. Por dois ou três Euros você pode fazer uma refeição completa na Praça Djemaa El-Fna. Por outro lado, existem restaurantes luxuosos, dentro de antigos palácios, onde uma refeição para duas pessoas custa mais de cinqüenta Euros.

Em relação às atrações turísticas, muitas delas não são pagas (como andar pelos Souks, desvendar as Medinas e mesmo observar as pessoas na Praça Djemaa El-Fna). As outras não custam muito (em média, um ou dois euros). Então, acho mesmo que os maiores gastos vão ser a hospedagem e a alimentação.

Quando tiver que pegar um taxi, tente pechinchar muito, mas muito mesmo. Em um mesmo trajeto (entre a Praça e a estação de trens), que eu fiz três vezes durante minha estadia, eu paguei preços que variaram de oito e trinta e cinco Dirhans. E mais adiante na minha viagem conheci uma pessoa que havia pago cem Dirhans nesse mesmo trajeto!

Ah, o nome da moeda local é Dirham. Em média, cada euro vale 10 ou 11 Dirham.

Para conhecer Marraquexe, eu reservaria uns três dias, pelo menos. Marraquexe é uma cidade incrível, e você precisa de tempo para absorver a cultura e o estilo de vida local, e também para se adaptar à loucura de Medina. Mas é claro que isso depende de quanto tempo você vai fiar no país, qual o seu roteiro, etc.

Qualquer outra dúvida, é só perguntar! Boa viagem!


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Famintos da América Latina: um problema para o guarda do próximo turno


Inspirado pelo ótimo filme mexicano Miss Bala, exibido no Festival de Cinema do Rio (e que assisti neste último domingo) e também pelos tristes acontecimentos que vêm se tornando cada vez mais freqüentes nas páginas dos jornais, publico aqui no blog um texto belo e comovente, escrito pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro. Em um relato de leitura fácil e agradável, o autor retrata um pouco do cenário complexo vivido pelo México, situação que vêm se agravando nos últimos anos.



Famintos da América Latina: um problema para o guarda do próximo turno

O velho relógio parece cansado de guerra, com preguiça de fazer o tempo passar. Preso a parede da rodoviária de Monterrey, no México, tem ponteiros lentos, como se avisassem a impossibilidade de andar mais rápido, talvez pelo calor do ambiente. São três horas da tarde. O guarda parece empurrar com os olhos os tais ponteiros, como quem reza para que mais um quarto de hora se passe. Às 15h15, o ônibus com direção a Nuevo Laredo, na fronteira com o estado americano do Texas, irá partir. Uma rápida conversa com o homem da lei e a curiosa pressa é entendida, ainda que não deixe de ser curiosa. Assim que o ônibus partir, o contingente de quarenta imigrantes ilegais deixa de ser um problema dele. Lava suas mãos, e torce para que o carro velho cruze logo a fronteira do estado de Nuevo Leon e adentre Tamaulipas, onde está a cidade de Nuevo Laredo. Uns duzentos e poucos quilômetros.

“Cumpadre, assim que cruzarem a divisa, são problema de outro estado. O colega de Tamaulipas que se ocupe. Aqui já não há lugar para tantos imigrantes ilegais a caminho dos Estados Unidos que chegam todos os dias. Tampouco as cadeias comportam mais. Nem prender estamos podendo mais. Quando partirem no ônibus, é problema de Tamaulipas”, conta, com absoluta normalidade, interrompida apenas com mais uma olhada para o relógio. No ano anterior foram 2.500 ilegais levados para as cadeias de Monterrey, acabando com os lugares para os criminosos daqui. Para que não exista dúvida sobre o que fala, ilustra com uma história definitiva.

“Você conhece a história do ônibus que fez um tour com dezenas de imigrantes ilegais? Saiu aqui da rodoviária de Monterrey. Andou 45 quilômetros, até o município de Doctor González, quando o carro foi detido com 42 pessoas. Hondurenhos, salvadorenhos, nicaragüenses, e até dois brasileiros, amigo”, frisa bem, parecendo se divertir com o interlocutor antes de continuar, não fosse a desgraça comum. “Levaram todos para a divisão de imigração. Não tinha lugar. Foram para a delegacia de Doctor González. Não tinha lugar. Levaram para San Nicolas, nos arredores. Imigração, polícia, nada. De novo para o ônibus e volta pra Monterrey. Imigração, polícia e como aqui é maior, Polícia Federal Preventiva. Nada. Levaram para o Parque Alamey, onde disseram ter uma cadeia com lugar. Chegou lá, o ônibus da véspera já tinha ocupado os lugares. Monterrey não tinha lugar tampouco. Bota no ônibus de novo e leva pro município de Santa Catarina, aqui perto. Sem lugar, volta pra Monterrey. Então aqui chegou a ordem: deixa seguirem pra Tamaulipas, que lá é problema deles. Agora, deixamos que sigam”, conta, sem conter uma longa risada, que explica a atual preguiça mesmo diante da certeza do contingente de indocumentados.

Finalmente o tempo percorre o tal quarto de hora. Sua missão do dia está cumprida: tocou o problema adiante. Por hoje, não existe mais problema, quer dizer, só no próximo ônibus, daqui a quatro horas. Mas esse já não é mais um problema dele, afinal, seu turno está acabando. 

“Cumpadre, quando o próximo ônibus para Nuevo Laredo encostar, estarei diante da TV assistindo ao jogo dos Sultanes. O problema passa a ser do próximo guarda”, encerra novamente, pensando no beisebol da noite com absoluta normalidade, novamente interrompida apenas com mais uma olhada para o relógio.

O ônibus ganha a “carretera” e vai cortando o México. A paisagem da janela evoca alguma poesia, gatilho de lirismo certamente disparado com a visão da Sierra Madre. Impossível, diante da visão, não se perder em memórias e confundir realidade e ficção com a lembrança de Humprey Bogart cruzando aquelas matas em “O Tesouro de Sierra Madre”. As situações limites da condição humana, ambição, cobiça, vaidade, encenadas em um clássico de John Huston...Impossível não abandonar por algum tempo o outro drama da condição humana, todas as situações limites, fome, saudade, desespero, espalhados em carne e osso por 40 poltronas, vizinhos, ali, naquele expresso Monterrey-Nuevo Laredo. Por mais fortes que sejam as lembranças ativadas pela Sierra Madre, o drama da poltrona ao lado interrompe logo o olhar perdido. 

A viagem segue, sempre acompanhando as eternizadas encostas da Sierra Madre. Qualquer conversa travada com os companheiros de viagem encontra sempre histórias parecidas. São salvadorenhos, hondurenhos, nicaragüenses, em busca de uma expressão que parece mágica em seus corações e mentes: “o sonho americano”, repetido freqüentemente por cada um, que sempre carrega alguma história de amigos ou parentes embarcados nesse sonho: limpadores de banheiro, descascadores de batata, vistos como heróis para quem nada restou em seu próprio país.

O ônibus passa incólume pela primeira barreira de policiais, que indica a proximidade de Nuevo Laredo. Conhecedores da lógica daquele caminho explicam que é assim mesmo, por amostragem. O próximo ônibus deve ficar, mas ainda tem uma parada na aduana antes de chegar a última cidade da fronteira mais famosa do mundo, aquela que o divide em dois: ao norte, a primeira classe do planeta, ao sul, os de terceira.

Estão certos. O ônibus é parado na aduana. O que vem a seguir é uma grande ironia. Os únicos retirados: talvez os dois únicos com documentação legal ali. O repórter e o cinegrafista. O policial federal manda o ônibus seguir viagem, os dois ficam para interrogatório.

Uma salinha de dois metros quadrados é o palco. Quatro soldados estão ali. Pouco educados, querem saber que reportagem é aquela. Nada os convence. O claro temor é o de alguma reportagem investigativa sobre narcotráfico. Nuevo Laredo é o principal ponto de passagem da fronteira México-Estados Unidos. Trinta e seis por cento da atividade comercial entre os dois países passam por ali, e cerca de cinco mil carros por dia, além de passageiros a pé nas quatro pontes que estão acima do Rio Bravo (para os americanos, o rio se chama Rio Grande). Isso claro, sem contar os ilegais, muitos deles tristemente representados nas cruzes sobre a cerca que inibe passagem de ilegais. No ano passado, cerca de 400 morreram afogados, tentando cruzar o rio, mais de um por dia. Por ano, mais de 400 mil mexicanos deixam a pátria-mãe para tentar embarcar no tal sonho, fora outros tanto latino-americanos.

A resposta de estarmos ali para reportagem de esportes soa quase como um deboche para os quatro agentes. Mesmo sendo verdade, era difícil mesmo crer. 

Nuevo Laredo é umas das regiões mais violentas do mundo. Fácil entender. A dois passos do paraíso do consumo das drogas, sua localização fronteiriça vale ouro. Em meio a disputa sangrenta do “Cartel do Golfo” e seu braço armado Los Zetas contra o rival “Cartel de Sinaloa”, vive uma cidade que deve ter sido pacata um dia.

Dominar Nuevo Laredo hoje é ter o controle das drogas que chegam aos Estados Unidos. Um negócio de riscos calculados, já que apenas 10% dos carros passam por revista, e um exército de imigrantes famintos está disponível para ser o portador das drogas na travessia.

Nesse cenário, onde recentemente todos os agentes da polícia foram afastados por indícios de envolvimento com o narcotráfico e corrupção, faz sentido que o jogo esteja pesado para dois jornalistas brasileiros alegando estarem em missão esportiva. Numa tentativa de afastar os intrusos, tentam um número que devem sempre repetir: mostram um jornal popular da cidade, com quatro presuntos decapitados na capa e dizem: “Olhem o que acontece com intrusos por aqui”. O esquete prossegue, ainda que meio canastrão, a própria novela mexicana. Discutem entre eles a melhor solução. Argumentam, dão risadas. Extraditar ou levar os repórteres para a prisão? Sem nada mais concreto amparando (como também se ali, naquele pedaço, fosse possível se fiar na legalidade das decisões...) a discussão, resolvem dar uma chance: “vocês vão fazer a reportagem de vocês, as imagens do Rio Bravo que querem. Mas se amanhã não estiverem de volta, fora do estado de Tamaulipas, vão direto para a cadeia. Os passaportes ficam, pegam na volta, de saída”.
Na impossibilidade de recusa, o acordo é aceito. Ainda que 24 horas pareçam muito pouco para mostrar um mundo de personagens e histórias que reescrevem o profético título de Eduardo Galeano, concebido há mais de 4 décadas. São as veias abertas da América Latina, pulsando e sangrando, abaixo do Rio Bravo.

Um dos grandes personagens ali possivelmente seja mesmo o Rio Bravo. Águas que dividem o mundo. A bandeira mexicana de um lado, a americana de outro. Poucos metros, e uma distância tão abissal... As cruzes falam por si.

O sol inclemente e sua luminosidade não assustam alguns que se aventuram em plena luz do dia a tentar a travessia, aproveitando um raro período de águas baixas. Sabem que aquele é apenas mais uma parte do desafio, que muitas vezes começou no vagão de carga do trem que vem desde El Salvador, Nicarágua ou Honduras, no qual milhares sobem e segue viagem no teto, sem qualquer proteção.

As cenas são de filme: de tempos em tempos, alguém se joga nas águas do Rio Bravo e deixa para trás uma pátria, uma família, um lar, sem nada de concreto do outro lado do rio, talvez na crença, tal e qual o autor da música, apenas de “acreditar ter visto uma luz, do outro lado do rio”. Uma simples crença já parece suficiente para quem não nada tem. Se tudo der certo, não ficarem presos na margem sul, conseguirem cruzar o rio, não acabarem presos na margem norte, cruzarem os dias de deserto a sol e sol, começam as dificuldades. Imagens gravadas, as tais horas parecem cada vez menores e insuficientes para tanta coisa a ser vista, tanto a ser mostrado.

Saindo do rio, descendo a principal avenida da cidade, chega-se a “Casa Del Migrante Nazareth”, da Diocese de Nuevo Laredo.  É uma visão estarrecedora. Cerca de cem pessoas, na maioria homens, visivelmente no auge de suas capacidades produtivas, encostados no chão, deitados, esperando o tempo passar. Um coletivo de deserdados, filhos da divisão do mundo, que determinou a sorte de cada lado do Rio Bravo, a sorte de cada um. Todos com a mesma história: vindos de trem das cidades centro-americanas, chegaram ali para cruzar o rio. Por algum motivo, não conseguiram. Seja o nível das águas, polícia, picada de cobra. Como já não há lugar na cadeia, e cada guarda passa o problema adiante, ficaram vagando pela cidade, adiando por alguns dias nova tentativa.

Para piorar o que parece não ter como piorar, muitos contam serem vítimas de extorsão do pouco dinheiro que carregam por parte da polícia local. “Nem documento temos, visto. Eles sabem que não podemos reclamar. Vamos para a delegacia reclamar? E ficamos por falta de documento? Ora, somos o alvo mais fácil para sermos roubados”, contam. 

Urinelson Lopes pegou o teto do trem na sua Guatemala. Tem mulher e filho em Los Angeles, conseguiram ir há 3 anos, tempo que não vê e poucas notícias tem dos seus. Já não lembra direito do rosto do menino Pablo, que viu pela última vez quando ele completou um ano. Espera agora cruzar o rio, o deserto e de alguma forma chegar na cidade dos anjos. Sabe que sua mulher é faxineira de uma lanchonete, espera sorte igual.

“Já não tinha mais nada pra fazer em meu país. Só restou a fome por lá. Não tinha outra opção. Há 3 anos juntei o dinheiro para um coyote atravessar minha mulher e filho, primeiro eles para se salvarem. Agora juntei e tento eu. Na primeira tentativa, fui visto por um helicóptero quando ainda chegava na margem de lá. Agora vou esperar a água baixar e vou. O que me resta?”, pergunta, diante do silêncio. Silêncio maior é causado por Luís Francisco, hondurenho, 27 anos. O mais solícito entre a massa faminta que deixou qualquer tentativa de entrevista ao sinal da hora da sopa, uma água rala distribuída uma vez por dia pela igreja. Parece ainda mais melancólico diante do microfone. Difícil decifrar tal tristeza em sua expressão. 

“Chegar até aqui já foi muito difícil. Mas não existe em meu país outra opção. Não há trabalho, só existe a fome”, conta Luís, que ia tentar cruzar o rio novamente naquela noite. 

Entrevista encerrada, chama a equipe num canto. Pela primeira vez esboça um sorriso, ainda que tímido. “Fiquei feliz em ver um colega de profissão. Sou jornalista também, trabalhava em um jornal em Honduras, mas há dois anos quase toda a redação foi mandada embora. Só me restou essa opção”, conta. 

As horas de prazo dadas pelo agente federal vão chegando ao fim. Nem era preciso. Agora parecem uma eternidade. Hora de ir embora. Mais do que hora. O nó toma a garganta. Impossível seguir normalmente, guardando distanciamento, como se tudo estivesse do outro lado do rio, ou mesmo como se tudo fosse apenas um problema para o guarda do próximo turno. 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Planejar seu safári no Kruger é mais fácil do que parece! Veja como fazer.

Visitar o Kruger não é complicado. Na verdade é bem simples! E uma excelente idéia também. Você só precisa seguir alguns passos importantes.

Primeiro, entre no site oficial do parque (http://www.sanparks.org/parks/kruger/) para conhecer melhor o local e reservar a acomodação com antecedência - no site há várias opções de campos (locais onde as pessoas se hospedam) e também de acomodações, com fotos, descrição, etc.. Além disso, é possível fazer a reserva online, pagar com cartão de crédito, num processo bem simples.



Eu, quando estive na África do Sul, fiquei no parque por cinco noites, sendo três delas no campo de Lower Sabie, uma em Satara e outra em Skukuza. Cada campo tem as suas características próprias, tanto de fauna quanto de flora. Esses três campos têm uma estrutura muito boa, com várias opções de hospedagem, restaurantes, mercados, postos de gasolina, etc.


Entre no site e veja o mapa do Kruger. No mapa é possível ver por onde entrar, qual estrada pegar, etc. No site, inclusive, tem um passo-a-passo de como chegar ao parque vindo de Johanesburgo. Não se preocupe, é bem fácil e é uma rota que milhares de turistas percorrem todos os dias! No mapa, você também vai poder ter a idéia do roteiro que fiz, da localização dos campos em que me hospedei, etc.

Primeiro, defina os campos em que você vai se hospedar. Depois, escolha o tipo de acomodação em cada campo. As acomodações variam de barracas de camping a luxuosos quartos. Eu fiquei em “huts” duplos, com ar condicionado. Foram muito bons e baratos. No site do parque você pode ver as opções de cada campo e fazer as reservas.

Mas é importante você sempre lembrar que o parque é muito popular e com muitos turistas. A estrutura é excelente, não é nada “selvagem” ou “radical”. O parque é uma atração internacional, principalmente para turistas europeus. E o serviço é de primeiro mundo. Inclusive nos restaurantes, lojas, internet, etc. Alguns campos têm piscina, lan house, caixas automáticos, etc. É tudo bem estruturado e organizado. E, por isso mesmo, é necessário efetuar sua reserva com muita antecedência. Dependendo da época do ano, é preciso confirmar com mais de seis meses de antecipação!

Depois de reservar a hospedagem, você deve reservar o aluguel do carro – pode ser qualquer um, mesmo popular. Não há necessidade de ser um carro de rali ou de safári. As estradas no parque são muito boas – algumas asfaltadas e outras de terra – mas todas muito bem cuidadas. Eu só acho que é uma boa um carro com ar condicionado, já que pode fazer calor no meio do dia. Com isso, é só dirigir até o parque. As estradas entre Johanesburgo e o Kruger são boas e simples. Eu fui sem nenhum mapa especial – só o mapa do guia Lonely Planet e foi bem fácil. Depois que você entra no parque, tudo é muito organizado e fácil. Na entrada você ganha um mapa do parque e uns guias de animais e outras informações.

Para o aluguel do carro, eu utilizei uma empresa sul-africana chamada Tempest Car Hire (www.tempestcarhire.co.za). Eu fiquei com o carro durante quinze dias, buscando o veículo em Durban e devolvendo em Johanesburgo. Foi tudo muito tranquilo, sem nenhum problema. E o custo do aluguel foi bem menor do que o cobrado pelas empresas internacionais, como a Hertz, Avis, e outras. Acho que vale a pena dar uma olhada no site dessa empresa. Pode ser um bom negócio!

Você pode voar até Johanesburgo, pegar o carro no aeroporto e ir dirigindo até o parque. Outra opção seria voar diretamente para um aeroporto que fica nas proximidades do parque, chamado Mpumalanga. É uma opção mais rápida e prática, mas também mais cara, já que poucas empresas voam até esse aeroporto (a principal delas é a Airlink, ligada à South African Airlines). Para Johanesburgo, porém, você pode utilizar alguma das várias empresas low cost que existem na África do Sul (1time, Kulula Air, etc)

Viram como não é tão complicado assim? Se você fizer o seu trabalho de cada com cuidado e antecedência, tenho certeza que terá uma das melhores e mais marcantes experiências da sua vida! Ah, e se você tiver qualquer outra dúvida, não se preocupe: é só me escrever. Se puder, terei prazer em ajudar no planejamento da sua viagem!


sábado, 8 de outubro de 2011

Festival do Rio 2011: para viajar sem sair da cidade

Para os cariocas apaixonados por viagens, mas que não podem largar tudo e fugir por aí – pelo menos por enquanto – uma boa alternativa é aproveitar o Festival do Rio, mostra internacional de cinema que começou nessa sexta feira e vai até o dia 19 de outubro, para viajar sem sair da cadeira do cinema.
Com uma incrível variedade de filmes, a mostra traz para os cariocas – e os brasileiros – alguns filmes de culturas distantes, que dificilmente encontrariam espaço no concorrido circuito de cinema da cidade. São filmes latinos, africanos, asiáticos e também europeus, que mostram um outro lado do cinema que nem sempre temos oportunidade de assistir.
Ontem consegui sair um pouco mais cedo do trabalho e aproveitar uma sessão dupla no Centro Cultural da Justiça Federal. Lá estavam sendo exibidos filmes africanos, numa exibição que aproveitou uma excelente dobradinha com a espetacular exposição sobre a vida e a obra de Abdias Nascimento, pintor, poeta, escritor e professor brasileiro, o maior nome na luta pelos direitos dos negros no Brasil, e um apaixonado pela cultura africana.
A primeira sessão começou às 16h30, com o documentário Uma Eleição Africana: Gana vai às Urnas. Dirigido pelo suíço Jarreth Merz, que passou parte da sua vida em Gana, o filme acompanha os tensos momentos da eleição presidencial de 2008, que marcaram a segunda mudança democrática de poder na história do país. Através das trajetórias dos principais candidatos, partidos políticos, militantes e de depoimentos dos próprios cidadãos, revela-se o clima de efervescência no país com impressionantes cenas de multidão. O empate técnico no primeiro turno e a tentativa do partido da situação de desviar os resultados no segundo turno levam a um quase desastre, com todos os ânimos elevados e alguma violência.
Às 19h, com um pequeno atraso, foi exibido o filme ruandês Massa Cinzenta (Matière Grise, no original), dirigido pelo jovem diretor Kivu Ruhorahosa (que estava presente na sala de exibição, timidamente apresentou o filme e respondeu a perguntas no final da sessão). Foi um filme tenso, marcado por momentos de violência e lembranças dolorosas do terrível período de guerra civil que destruiu o país e matou centenas de milhares de pessoas. A obra narra a história do jovem ruandês Balthazar, que pretende fazer um filme sobre o genocídio chamado The Cycle of the Cockroach. Sua idéia é contar a história de uma mulher que sobrevive a terríveis atos de crueldade e acaba internada na mesma instituição mental que o homem que os cometeu. Mas a premissa não é bem recebida pelos investidores, que encorajam Balthazar a realizar um filme que conscientize a população sobre a AIDS. Frustrado, ele resolve não contar nada à equipe e continua o projeto. Mas depois de um ensaio, cenas do roteiro começam a se materializar na vida real.
Os filmes foram muito bons, não apenas pela qualidade das obras (que não decepcionaram), mas também pela rara oportunidade de apreciarmos filmes africanos, que retratam de forma real, e em primeira mão, a vida nesse continente esquecido e maltratado. Ambos serão exibidos novamente no Festival, então vale a pena ficar de olho na programação.

Hoje, com certeza tentarei assistir a mais alguns filmes, apesar da esperada lotação das salas nesse primeiro sábado de exibição. E certamente voltarei com novas impressões para compartilhar!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Frase da Semana


“The traveler sees what he sees, the tourist sees what he has come to see.”

                                    G. K. Chesterton, escritor britânico (1874 – 1936)


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Perguntas e Respostas: Hospedagem em Marraquexe, Essaouira e Ouarzazate


Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Luiz, muito obrigado por sua atenção. O seu site e a resposta de nossa dúvida estão sendo de grande valia. Engraçado que, no mesmo dia que te enviei o email, fui pesquisar passagens Lisboa x Marraqueche e vi que os preços eram viáveis.  Agora estamos resolvendo estadia em Marraquexe e o que fazer ao redor. Você me falou de um local de praia, mas na época que iremos não acho que será interessante. O que você recomenda para dois ou três dias fora de Marraqueche? E uma boa opção ficar hospedado nas imediações da Medina? Hotel ou Riad? Recomenda algum? Mais uma vez, muito obrigado. Grande abraço. Paulo Henrique.

Paulo, bom dia! Em Marraquexe, eu fiquei hospedado dentro da Medina, em um Riad excelente, que certamente posso recomendar a vocês. A localização era espetacular, apenas alguns metros da Praça Djemaa El-Fna. No terraço do Riad era possível observar toda a praça, enquanto tomávamos café da manhã, ou um chá de menta no fim do dia! O Riad é bastante pequeno e com um atendimento personalizado e de primeira. São apenas cinco ou seis quartos, e a nós fomos recebidos pelo dono, que deu muitas dicas importantes para a nossa estadia na cidade. O nome do local é Riad Andalla (http://www.riad-andalla.com), e o dono é um francês chamado Christophe (christophe@riad-andalla.com). O Riad não é muito barato (eu paguei 70 euros para um casal, por dia). Mas com a qualidade dos quartos e dos serviços, eu achei que valeu muito a pena. Mas vale dar uma lida nas críticas do Riad no site Trip Advisor, para ver a opinião dos outros viajantes. Eu inclusive escrevi uma crítica bem completa sobre o local. Mas, de forma geral, o Riad Andalla foi a melhor hospedagem dessa minha viagem ao Marrocos. Um verdadeiro porto seguro no caos da Medina.

Em relação aos lugares para serem visitados próximos à Marraquexe, eu acho que as duas melhores opções são Essaouira e Ouarzazate. Mesmo sendo uma época de inverno, uma visita a Essaouira vale a pena. Eu, por exemplo, fui à cidade em janeiro. Não foi possível irmos a praia, mergulharmos, nada disso. Mas a cidade murada é uma maravilha, com suas casinhas brancas e azuis, lembrando a famosa ilha de Saint Malo, na França. Lá, a Medina é uma versão mais calma e tranqüila da loucura de Marraquexe, e os barquinhos de pesca cercados de gaivotas são uma visão marcante. Particularmente, eu acho que vale uma visita, mesmo que seja de apenas um dia (é possível ir e voltar no mesmo dia, apesar de uma noite na cidade permitir que vocês aproveitem melhor o clima local).

A outra opção seria Ouarzazate, uma velha cidade histórica, no meio da antiga trilha das caravanas que atravessavam o deserto. Se vocês puderem alugar um carro - o que eu recomendo, já que não é caro e pode ser organizado pela internet, sem dificuldades - podem fazer uma visita à Ouarzazate e a famosa cidade-fortaleza de Ait-Benhaddou, considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO. São locais incríveis e foram um dos pontos altos da minha viagem. A distância entre Marraquexe e Ouarzazate é de aproximadamente cinco horas (ou seja, um pouco mais distante do que Essaouira), mas a estrada é boa, com um visual incrível das montanhas Atlas. Duas noites lá seriam uma excelente alternativa à Essaouira.

Abraços e boa viagem!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Perguntas e Respostas: Uma semana no Marrocos – como chegar e para onde ir


Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Luiz, bom dia! Li vários relatos sobre viagens ao Marrocos e, no entanto, nada se encaixou para a gente. Explico: estaremos viajando eu, minha esposa e uma amiga. Essa amiga reside em Lisboa e irá conosco. Vi que não há muitas opções de vôos de direto para o Marrocos e estamos pensando em ir de carro. Outra questão é que não temos muito tempo, que seria em torno de cinco ou seis dias, contado com o deslocamento. Ficaria mais ou menos assim:

28/12 (quarta): saída de Lisboa com destino a Algeciras. Não atravessaríamos o estreito no mesmo dia. Pernoitaríamos lá ou em cidade próxima; 
29/12 (quinta): travessia do estreito logo pela manhã, com destino a Chefchaouen (dica de um amigo Português); 
30/12 (sexta): Chefchaouen. A tarde, saída para Fes (215km);
31/12 (sábado): Fez;
01/01/12 (domingo): Fez;
02/01 (segunda): ??
03/01(terça): Inicio do retorno para a Europa.

Alguma dúvidas: Chefchaouen vale a pena? O que fazer por lá? Não arrumei muita informação sobre essa cidade ainda. Em Fez, acho que não teremos problemas de programação. Mas se você tiver alguma dica, é bem vinda. E circular de carro no Marrocos, é seguro? Se você tiver alguma outra sugestão de roteiro, manda ver! Bem, por enquanto é isso. Se puder nos ajudar, ficaremos muito gratos! Grande abraço. Paulo Henrique 

Paulo Henrique, bom dia! Apesar do pouco tempo, acho que você irá gostar muito do Marrocos. É um país incrível, e viajar por essas bandas é uma experiência cultural sem igual! Mas vamos às suas dúvidas:

Eu dei uma pesquisada rápida na internet, e encontrei algumas opções de vôos entre Lisboa e Marraquexe, ou então entre Lisboa e Casablanca. A TAP faz esse trecho sem escalas, enquanto a Air Marroc e a Ibéria voam para esses destinos, mas com uma escala no caminho. Os preços giravam em torno de R$500 por pessoa, dependendo das datas, é claro, para ida e volta. Não sei se esse valor está no seu orçamento, ou se vocês planejam chegar ao Marrocos de forma mais econômica, mas levando-se em consideração o pouco tempo que vocês têm disponível, acho que voar pode ser uma boa opção – afinal seriam pelo menos dois dias extras no seu roteiro!

Chefchaouen é uma cidade histórica muito bonita, conhecida pelas suas vielas de tonalidade azul. Eu, infelizmente, não pude conhecê-la quando estive no país. Mas, quando elaborei um roteiro para a minha irmã visitar o Marrocos, inclui essa cidade. Ela adorou, e sempre fala muito bem desse local. Então, acho que pode sim valer uma visita. Mas é uma cidade bem pequena, sem muitas atrações específicas. Acho que caminhar pelas suas estreitas ruas e sentir o clima do local é a principal experiência em Chefchaouen.

É claro que, com um tempo tão curto, qualquer cidade que você acrescente ao seu roteiro significa retirar alguma outra opção. Outros destinos, como Meknes, Essaouira, Ouarzazate e até mesmo o deserto em Merzouga poderiam estar no seu roteiro – e seria igualmente uma ótima opção. Mas o importante é você avaliar as opções e decidir o que você gostaria de conhecer nesse momento. Os demais locais podem sempre ser visitados em outra oportunidade!

Nesse dia livre que vocês têm no seu roteiro, acho que pode valer uma visita de um dia à Meknes, uma antiga capital imperial do Marrocos, com atrações suficientes para preencher um bom day-trip. E acho que é possível vocês encaixarem também uma visita às ruínas romanas de Volubilis, que fica no caminho entre Fez e Meknes. Considerada a mais bem preservada ruína romana no norte da África, Volubillis foi uma agradável surpresa em meu roteiro. Os mosaicos são incríveis e estão surpreendentemente preservados, após tanto tempo de abandono!

Sobre dirigir no Marrocos, posso dizer que é bem tranqüilo – com exceção, é claro, do caótico trânsito nos arredores das Medinas. Mas as estradas em geral são boas, bem sinalizadas e o tráfego não é muito pesado. Só evite dirigir a noite, principalmente nas regiões montanhosas, onde as estradas às vezes são estreitas e ficam bem escuras à noite. Caso você vá dirigir pelos Atlas (o que não deve ser o caso), preste atenção às condições climáticas e à neve. Mas, no trecho entre Fez e Meknes e também entre Fez e Tangier, a estrada é uma via expressa muito boa, e você não deverá ter problemas.

Se quiser, navegue pelos posts mais antigos do blog. Eu postei um relato bem completo de minha viagem ao Marrocos, inclusive com algumas informações sobre as estradas e algumas das cidades que você planeja visitar. E, qualquer outra pergunta que você tiver, não hesite em me escrever! Se eu puder, será um prazer ajudar!