terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dica de Leitura X: O Ladrão no Fim do Mundo


Trago hoje mais uma recomendação de leitura. E essa dica foge um pouco do padrão das minhas outras recomendações, já que não se trata de um livro de viagens, propriamente dito. Entretanto, certamente é um livro que contém relatos de grandes aventuras!

O Ladrão no Fim do Mundo, escrito pelo jornalista investigativo Joe Jackson, disseca um dos mais notáveis casos de contrabando internacional que fez ruir o modelo econômico da borracha que havia impulsionado o desenvolvimento do norte brasileiro.

O livro conta a história de como o inglês Henry Wickham, um homem comum e sem dinheiro, contrabandeou 70 mil sementes de seringueiras da Floresta Amazônica para a Inglaterra no século XIX. Foi o primeiro caso de biopirataria massiva na era moderna.

Movido pela ambição de crescer na indústria da borracha - filão comandado pelo Brasil na época - Wickham decide se aventurar pela selva amazônica em busca de um tipo particular de seringueira que produzia a borracha mais forte, durável e almejada pelos ingleses. Após enfrentar os perigos da floresta, ter encontros com insetos gigantes e habitantes do rio Amazonas, entre outras experiências que quase o levaram à morte, Henry Wickham retorna à Inglaterra com milhares de sementes raras de seringueira que, depois de estudadas no jardim botânico de Londres, o Kew Gardens, foram enviadas para plantações nas colônias inglesas tropicais. Trinta anos depois, a Inglaterra conseguiu superar o Brasil no monopólio da borracha e dominar os suprimentos mundiais da matéria-prima. O ladrão no fim do mundo é a história do uso e abuso da natureza pelo homem na luta pela dominação mundial.

Eu ganhei esse livro recentemente, e ainda não tive a oportunidade de lê-lo (ainda estou concluindo a leitura da minha última recomendação, O Anjo Branco). Mas me pareceu ser um livro muito interessante! Por isso, trago aqui a recomendação. E, assim que terminar de ler a obra, retorno com a minha impressão!


2 comentários:

  1. Também vou lê-lo, vi o comentário na Veja e me interessei. Estive em Manaus e fiquei boquiaberta com a riqueza da época da borracha.Nem fazia ideia. Realmente o norte do Brasil teria tido outro destino, se a Inglaterra não tivesse roubado as sementes de seringueiras. Morei 2 anos no Acre (fronteira com o Peru) e vi e vivi, nos seringais (sim, ainda existem!)o abandono da região.
    Rosi

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  2. Estou terminando de ler o livro e posso dizer que é interessantíssimo e assustador - realmente só quem conhece a selva amazônica sabe como sobreviver nessa região, com todas as doenças, insetos e solo frágil. Índios e seringueiros eram usados e tratados como escravos para a extração do látex. Estrangeiros de todas as regiões do mundo (ingleses, franceses, alemães, portugueses, espanhóis, italianos, libaneses e sírios) usufruíram da riqueza que a borracha proporcionava no ano de 1910. "As histórias de barões esbanjadores eram inúmeras e eles tinham a impressão de que os lucros com a borracha só podiam subir.". A história mudou quando a partir de 1913 as plantações nas colônias inglesas começaram a superar a produção da borracha brasileira. Depois do inglês Henry Wickham, que morreu em 1928, pobre apesar do roubo, outros empreendedores como os americanos Henry Ford e Daniel K Ludwig imaginaram a Amazônia como um tesouro inexplorado e ilimitado. Compraram e devastaram acres e mais acres de floresta tropical - a selva venceu e eles foram à falência, mas provocaram um grave desiquilíbrio ambiental. Essa devastação continua com os plantadores de soja e madeireiros.

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