sábado, 6 de agosto de 2011

Relato de Viagem, África do Sul – Parte 2: Durban, o símbolo cosmopolita da África

O sol brilhava forte e um belo dia se anunciava naquela manhã, quando parti de Durban dirigindo rumo ao norte. Eram passados poucos minutos das nove horas e um longo dia na estrada se anunciava, até a cidade de Santa Lucia, na costa do Oceano Índico. Foram dois dias conhecendo a cidade costeira de Durban, onde aluguei o carro que me acompanharia pelos próximos quinze dias, até o final de minha viagem, em Johanesburgo.
Durban é um exemplo característico da natureza cosmopolita da África do Sul. Foi em Durban que Mahatma Gandhi despertou seu lado político, e onde o então jovem advogado indiano iniciou sua luta pela igualdade e contra a discriminação racial na África do Sul, da qual não apenas os negros, mas também os hindus eram vítimas. Até hoje é ainda considerada a maior cidade indiana fora da Índia, e esta influência é facilmente notada nos inúmeros restaurantes e lojas espalhadas pelos diversos bairros da cidade, que abriga atualmente quatro milhões de pessoas em sua região metropolitana.
Fundada pelos portugueses em 1497 e originalmente batizada “Natal”, foi também residência do poeta português Fernando Pessoa, que passou grande parte da sua juventude na cidade.
Atualmente Durban é uma cidade habitada majoritariamente por uma população negra, ao contrário da Cidade do Cabo. O Zulu é o idioma mais falado na região, inclusive nas transmissões televisivas. Durante minha permanência na cidade pude acompanhar uma partida de futebol da seleção nacional africana, em sua preparação para a Copa do Mundo que se aproximava. Além do medíocre futebol apresentado (que viria a se confirmar na competição mundial), o que chamou a atenção foi a narração local, que intercalava os idiomas zulu, xosa e o inglês, dedicando a cada um quinze minutos em cada tempo de jogo.
Essa mistura cultural torna a cidade interessante, e os dias passados em Durban foram relaxantes e agradáveis. Em termos de atrações turísticas, a orla é um pouco decepcionante e o gigantesco cassino à beira-mar parece não combinar muito com o ambiente da região. Mas uma visita ao grande aquário municipal repleto de tubarões e dos mais exóticos exemplares da fauna marinha preenche facilmente todo um dia.
 A estrada N2 cruza a costa indiana da África do Sul até a fronteira com a Suazilândia. Contrariando minhas expectativas, a via se encontra em excelente estado, permitindo uma direção tranqüila e agradável. A paisagem rural do estado de KwaZulu-Natal é bastante bela, com seus morros arredondados cobertos por uma vegetação verde e rasteira. Enquanto me afastava da região metropolitana, mais freqüentemente as casas tradicionais eram substituídas por cabanas típicas zulus: pequenas e redondas, de um só cômodo, cobertas de palha seca e com uma pequena porta. Essas moradias tradicionais não possuem janelas ou chaminés, mas a fumaça das fogueiras atravessam a palha do teto, construído de forma engenhosa para permitir esse escapamento. As influências européias e africanas convivem lado a lado na região da zululândia, tornando esse cenário um local único.
Seguimos sem paradas pelos 250 quilômetros de estrada e no inicio da tarde chegamos à pequena cidade de Santa Lúcia, na entrada do parque nacional que possuía esse mesmo nome, mas que foi rebatizado em 2007 para iSimangaliso Wetland Park – palavra zulu para “um milagre”.
(Essa é a segunda parte do relato da minha viagem à Africa do Sul, em fevereiro e março de 2010. Foram 25 dias no país, conhecendo Cidade do Cabo, Durban, Sta Lucia, Suazilândia, Krugger, Graskop e Johannesburg. Leia as outras partes nos posts anteriores e fique atento aos novos posts!)

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