domingo, 31 de julho de 2011

Perguntas e Respostas: Duas semanas visitando o Salar de Uyuni, Machu Picchu e o Lago Titicaca

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!
Olá Luiz, Meu nome é Ligia, sou de Campinas (SP). Estou planejando meu primeiro mochilão e estou beeeem perdida. Já dei uma olhada no mochileiros.com, mas não consegui muitas informações. Gostaria que você me ajudasse se possível. Pretendo ficar duas semanas (dezembro) viajando e visitar Machu Picchu, o lago de Titicaca e o Salar de Uyuni. Será que dá tempo? Por onde é melhor entrar? Fecho guias e trilhas lá mesmo? Como posso saber que empresas fazem transporte de ônibus ou trem? Desculpe-me se as perguntas são bobas, é que não sei se as pessoas planejam tudo antes de ir ou deixam rolar lá mesmo. Obrigada. Ligia
Lígia, bom dia! Não se preocupe, as suas perguntas não são nadas bobas! Na verdade, eu recebo perguntas como essas todos os dias! Até resolvi publicá-las aqui no blog, para ajudar outras pessoas que também estiverem planejando os seus primeiros mochilões.
Em relação aos tours, guias e trilhas, é sempre melhor você contratar diretamente no seu destino. Assim, é quase certo que você pagará bem menos, e poderá comparar preços e serviços oferecidos pelas diversas empresas, já que normalmente são muitas oferecendo serviços parecidos. Em Uyuni, a única “avenida” da cidade é cheia de lojas de turismo oferecendo passeios para o Salar! Vale a pena passar em algumas e comparar o que elas oferecem...
O Salar de Uyuni e Machu Picchu são dois excelentes destinos – na minha opinião, os dois melhores da América do Sul. Mas a distância entre eles é bem grande! Em duas semanas, talvez a distância seja um pouco grande demais para você aproveitar tudo com calma e poder apreciar os destinos localizados entre eles (La Paz, Copacabana, Puno, etc.). Mas é claro que um dos fatores que mais influenciaria o seu roteiro é o local por onde você chegaria, vindo do Brasil. A Gol possui vôos para Santa Cruz de La Sierra, que é a opção mais barata, mas também um pouco longe de Cuzco, principalmente para uma viagem de quinze dias. Você poderia chegar por Lima, o que facilitaria a visita a Cuzco, mas aí seria o Salar de Uyuni que ficaria bem longe! Acho que melhor opção para se visitar os dois destinos seria pousar em La Paz. De lá, você poderia tomar um ônibus noturno para Uyuni, fazer o tour e depois retornar no mesmo ônibus para La Paz, indo no mesmo dia para Copacabana, nas margens do Titicaca. De lá, outro ônibus noturno de deixa em Cuzco – base para todas as visitas a Machu Picchu.
Planejando assim, você poderia passar três noites em La Paz, outras três em Uyuni (para fazer o tour do Salar), duas em Copacabana, e cinco em Cuzco (incluindo a visita a Machu Picchu e ao vale sagrado dos Incas). Algumas dessas noites seriam substituías por ônibus noturnos, o que pouparia seu tempo e dinheiro também, apesar de serem um pouco cansativas! Mas no final acho que seria um roteiro bem legal, e não teria um ritmo tão corrido assim!
Com uns dias extras você poderia incluir a cidade de Puno no seu roteiro, e fazer o tour às ilhas flutuantes do Titicaca. Ou mesmo acrescentar Arequipa, que é uma bela cidade colonial peruana.
Bom, espero ter ajudado um pouco o seu planejamento. Se tiver qualquer outra dúvida, é só me escrever!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Frase da Semana

“There are no foreign lands. It is the traveler only who is foreign.”

Robert Louis Stevenson, poeta e escritor escocês (1850-1894)


Perguntas e Respostas: África do Sul – Atrações próximas à Port Elisabeth e uma semana livre na Cidade do Cabo

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Bom dia Luiz! O que acontece é o seguinte: estou indo passar um mês na Africa do Sul. Mas vou para trabalhar como voluntária em um centro de reabilitação de animais selvagens, localizado entre Port Elisabeth e Jeffreys Bay, e este trabalho é de segunda a sexta, então eu gostaria de fazer pequenas viagens aos finais de semana... Você tem sugestões do que tem por lá perto para eu visitar? Mesmo se não for muito perto, tipo saindo na sexta de manha e voltando na segunda à tarde... E eu vou ficar neste projeto três semanas, a última semana tenho livre pra fazer turismo, pensei em ir para Cape Town pela Garden Route. Você tem sugestões de paradas neste caminho? Muito obrigada! Raquel.

Olá Raquel, tudo bem? Muito legal a sua viagem! Sempre tive vontade de fazer algo assim, e nunca conheci ninguém que tivesse feito alguma coisa nesse estilo. Acho que você vai ter uma experiência incrível!

Quando eu estive na África do Sul, não conheci essa região próxima à Port Elisabeth, já que voei da Cidade do Cabo à Durban. Mas sei que é uma região muito linda, com uma costa belíssima.

Uma vantagem da África do Sul é que lá existem várias empresas aéreas de baixo custo, o que significa que você pode pegar um vôo na sexta feira e conhecer algumas regiões legais, retornando no domingo ou na segunda. Durban é uma cidade interessante e que merece uma visita. O aquário da cidade é incrível! Acho que seria um excelente fim de semana!

E perto de Port Elisabeth (75km) fica o Addo Elephant National Park, um dos melhores parques nacionais do país (e o terceiro maior) e um excelente lugar para você fazer um safári. Você pode alugar um carro e passar o fim de semana lá, por conta própria. É bem simples e não é caro. É uma opção muito boa também! Outro parque próximo é o Mountain Zebra National Park, que fica a três horas de carro de Port Elisabeth. Acho que vale a pena visitar os dois parques, já que cada um tem as suas características específicas. Quando eu estive na África do Sul, fui a quatro parques diferentes e achei que valeu muito a pena! Só é importante você lembrar de reservar a acomodação dentro do parque com antecedência, por costuma ficar lotada bem cedo – as vezes até com meses de antecedência!

A região de Garden Route não fica muito longe de Port Elisabeth, acho que pode até ser um destino de fim de semana – principalmente se for um fim de semana longo (de sexta e segunda, por exemplo). A dica é alugar um carro para conhecer a região, já que o transporte público não é tão bom assim.

Para a semana que você tem livre, conhecer a Cidade do Cabo é imperdível e fundamental. A região tem tantas atrações, que você poderia ficar lá toda a semana e ainda faltar tempo! Eu coloquei um post no meu blog sobre a Cidade do Cabo e o que fazer na cidade. Vale a pena você dar uma lida. São tantas coisas!

Ah, quando você tiver tempo, entra no site http://www.southafrica.net. É o site oficial de turismo da África do Sul. Lá tem muito informação e muitas dicas! Outro site legal é o site dos parques nacionais (www.sanparks.org). Lá você pode reservar acomodação nos parques e ler muito sobre cada um deles.

Bom, espero ter ajudado! Qualquer outra dúvida que você tiver, é só perguntar! Boa viagem, e aproveite!


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Resposta a um turista apressado

Dias atrás fui procurado por alguém que buscava minha ajuda na elaboração de um roteiro de viagens. Até aí tudo bem, já que isso acontece bem freqüentemente. Mas desta vez o objetivo era montar um roteiro de volta ao mundo em 60 dias, passando pelos cinco continentes. Dinheiro não era problema, me disse. Realmente, o problema não é o dinheiro, respondi. Na verdade, esse era a menor das preocupações para alguém que deseja conhecer o mundo todo em dois meses.

Minha primeira resposta foi padrão: “sessenta dias não são suficientes para uma viagem de volta ao mundo - pelo menos para uma viagem com um roteiro adequado e com um custo-benefício bom. Escolha um continente e planeje um roteiro focado nessa região. Dois meses pela Europa seria um tempo legal para ver as principais atrações. Ou então, passe esse tempo pelo sudeste asiático, ou mesmo na América do Sul ou Central.”

Mas não foi o suficiente. Nada parecia o fazer mudar de planos, e a volta ao mundo era quase que uma necessidade orgânica. E o pior: o prazo havia se reduzido para 51 dias. Durante a discussão (que se passou em um fórum sobre viagens), chegou-se até a cogitar que era possível dar a volta ao mundo em um mês! Fui um pouco mais incisivo: “volta ao mundo em trinta dias é quase um tour por aeroportos! Não consigo visitar às vezes nem um país direito nesse período!”

Mas não adiantou. Foi então apresentado um roteiro para a futura “volta ao mundo”: África do Sul, sete dias. Madagascar, quatro dias. Egito, quatro dias. Dubai, dois dias. Índia, quatro dias. Filipinas, quatro dias. Indonésia, quatro dias. Austrália, dez dias. E, finalmente, Nova Zelândia, oito dias.

Tentando ainda me recuperar do choque de ver alguém querendo conhecer a Índia em quatro dias (e ao mesmo tempo dedicando dez dias à Austrália, vai entender), enviei a minha posição final, uma última tentativa desesperada de convencer o turista apressado a muda de idéia – ou pelo menos pensar um pouco melhor no seu roteiro. Segue abaixo o texto que enviei, quase uma súplica.

“Você certamente voltará com muitas fotos e imagens dos lindos locais da Índia e do Egito, vai conseguir ver as pirâmides, o Taj Mahal, tirar algumas fotos dos leões africanos, e aproveitar alguns dias numa bela praia. Mas viajar é muito mais do que isso. Viajar é sentir a alma do lugar, conversar com as pessoas do país, experimentar a cultura. E isso não é possível em três ou quatro dias. É preciso mais, muito mais. É preciso ter tempo para não fazer nada, sentar em um banco e observar. É preciso ter tempo de conversar com qualquer um, ouvir como eles pensam. Os países não estão do outro lado de uma câmera fotográfica. E com tão pouco tempo, o máximo que você conseguirá é um safári fotográfico.

É claro que você voltará muito satisfeito (afinal, qualquer viagem é boa, mesmo as não tão boas assim). Terá muitas histórias para contar e milhares de fotografias para mostrar aos familiares e amigos. Mas terá sido um turista de sorte. Ou um turista com uma boa verba. O objetivo, a meu ver, é ser um viajante. E ser um viajante é não contar os dias, muito menos as horas.
Eu sei que o desejo de conhecer o mundo todo é enorme. E o medo de não termos outra oportunidade de viajar é forte. Mas é necessário resistir. Outras oportunidades vão surgir (e mesmo que não apareçam, isso não é possível de se prever). Então viaje como se fosse apenas um primeiro passo de um longo caminho. Conheça uma cultura, mais do que um lugar. E já comece a sonhar com a seguinte, mesmo que vá demorar anos até a desejada próxima viagem. Dessa maneira, você acabará a viagem mais satisfeito, e deixará um pouquinho do seu desejo contido para os próximos anos.”

Vamos torcer para que dê algum resultado. Senão, teremos mais um turista apressado no mundo, com uma câmera frenética e poucas lembranças das pessoas que conheceu no caminho.


quinta-feira, 21 de julho de 2011

Frase da Semana

“O mundo é um livro e aquele que não viaja lê apenas uma página.”

                                Aurélio Agostinho de Hipona, Santo Agostinho, bispo, escritor, teólogo e filósofo (354 – 430)


Perguntas e Respostas: Entrando na Europa apenas com o cartão de crédito

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Olá, Luiz! Irei pra Irlanda a passeio e para um curso de inglês em breve e quero utilizar prioritariamente o saque no débito. Minha dúvida é em relação à imigração... Tenho medo de me barrarem por estar com pouco dinheiro em espécie. Será que é arriscado?

Olá! Este ano eu estivo em Portugal e também viajei basicamente na dependência do cartão de débito e crédito. Levei uma pequena quantidade em espécie, mas apenas o suficiente para alguma emergência (aproximadamente 300 dólares). Durante os procedimentos de imigração na chegada à Europa, me fizerem algumas perguntas, mas nenhuma referente a dinheiro, ou euros em espécie.

Eu não sei se você vai apenas como turista, ou se teve que obter o visto para estudantes (caso a sua estadia seja maior do que noventa dias).  Pelo que pesquisei, se você for passar mais do que 90 dias no país, deve levar uma comprovação de depósito no montante de 3.000 euros em conta corrente de um banco irlandês. Essa é uma exigência nova, que entrou em vigor em 2011. Caso essa seja sua situação, seria melhor você se informar com mais detalhes, inclusive com a empresa responsável pelo seu curso de inglês.

Mas se for apenas como turista, para um período menor do que noventa dias, acho que os procedimentos seriam semelhantes aos demais países da Europa que adotam o Tratado de Schengen (a Irlanda não está entre os países que assinaram tal tratado, mas adota medidas semelhantes em relação às formalidades de entrada no país).

Nos links abaixo, têm um FAQ muito interessante sobre o Tratado Schengen e as suas exigências, e outras informações. Vale a pena dar uma olhada! De acordo com esses dados, a comprovação de renda pode sim ser feita por meio de cartão de crédito ou débito, então acho que você não terá problema. Existem algumas pessoas que levam uma fatura de cartão de crédito recente para comprovação do limite, ou mesmo uma cópia de extrato bancário. Você pode também fazer isso, mas apenas apresente a documentação se ela for solicitada, para não se explicar demais e levantar suspeitas!




Acho que o importante é manter a calma, falar pouco e só mostrar os documentos que eles pedem! E leve um pouco de dinheiro vivo, só para garantir... Qualquer outra dúvida, é só perguntar! Boa viagem!


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Perguntas e Respostas: Cinco dias no Marrocos

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Olá, Luiz!  Li o seu relato da viagem ao Marrocos no mochileiros.com (muito bem escrito!) e gostaria de pedir uma ajuda. Viajo para a Europa no final de Setembro com o meu noivo e mais um casal de amigos e temos planos de voar para Marrakesh a partir de Roma no começo de Outubro. Pretendemos ficar no país por cinco dias no máximo e, como sei que vai ser corrido, estou tentando decidir qual cidade visitar, além de Marrakesh. Pensamos em ficar duas noites em Marrakesh, você acha suficiente? E se tivermos que escolher só mais uma cidade, qual você sugere?  Muito obrigada desde já! Thayla

Oi Thayla! Tudo bem? Que pena que você só poderá passar cinco dias no Marrocos. São tantas atrações no país que você poderia passar um mês e ainda faltar tempo! Mas, se eu tivesse apenas cinco dias para aproveitar, passaria três noites em Marraquexe e uma ou duas noites em Essaouira, que é uma bela cidade costeira, distante apenas duas horas e meia de Marraquexe.  A cidade é linda e possui um belo forte, com vistas incríveis da cidade murada. A Medina de Essaouira é uma versão menor e mais tranqüila da Medina de Marraquexe, e um bom local para passear e fazer compras. Lá você também encontra alguns restaurantes de frutos do mar que são bons e baratos. Vale a pena uma visita!

Os ônibus que ligam as duas cidades são muito bons, com ar condicionado, e são baratos. Custam aproximadamente 80 dirhams (menos de 7 euros) e partem da estação de trens. O nome da empresa é Supratours e você compra os bilhetes na própria estação de trem. Apesar de vocês viajarem na baixa temporada, vale a pena comprar os bilhetes com um dia de antecedência, para evitar surpresas! Só tome cuidado com os taxistas que ficam próximos à Praça Djemaa El Fna. Eles vão tentar cobrar muito caro pela corrida até a estação. O preço justo é dez dirhams ou menos, mas como turistas vocês podem ficar felizes se pagarem uns quinze ou vinte. Eu conheço uma pessoa que pagou cento e cinqüenta!

Essaouira pode ser feita em um Day-trip, saindo de Marraquexe no primeiro ônibus e retornando no último do dia. Mas acho que ficaria um pouco corrido.

Se vocês puderem alugar um carro - o que eu recomendo, já que não é caro e pode ser organizado pela internet, sem dificuldades - podem fazer uma visita à Ouarzazate e a famosa cidade-fortaleza de Ait-Benhaddou, considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO. São locais incríveis e foram um dos pontos altos da minha viagem. A distância entre Marraquexe e Ouarzazate é de aproximadamente cinco horas, mas a estrada é boa, com um visual incrível das montanhas Atlas. Duas noites lá seriam uma excelente alternativa à Essaouira.

Ouarzazate pode ser conhecida também em apenas uma noite, deixando as quatro restantes para Marraquexe. Mas acho que duas noites é um tempo mais adequado, principalmente devido às cinco horas na estrada.

Duas noites eu acho que é muito pouco para uma cidade como Marraquexe. A essência da cidade, sua loucura e magia precisam ser vividas com calma para serem aproveitadas e compreendidas de verdade. Não deixe de passear sem rumo pelo labirinto da Medina e se perder constantemente. Jante todas as noites da Praça Djemaa El Fna. A comida é boa e muito barata. Não há lugar melhor na cidade. Aproveite também para fazer compras, mas negocie muito (muito!), e pesquise em muitas barracas antes de comprar.

Apesar de ser um tempo curto, tenho certeza que você ficará encantada com sua visita ao Marrocos. Se tiver qualquer outra dúvida, é só perguntar!


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Perguntas e Respostas: 19 dias no Marrocos, em agosto. Viajando no Ramadan.

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Oi Luiz, tudo bem? Meu nome é Marcio e também moro no Rio de janeiro. Seguinte: estarei em agosto no Marrocos (de 10 a 29) e gostaria de saber se você poderia me dar uma boa dica de roteiro, hospedagens e passeios. Sou fissurado naquelas paisagens desérticas, tipo oasis, dunas, costumes locais, etc. Não poderei alugar carro pois minha CNH venceu! Aguardo teu retorno.

Oi Márcio, tudo certo? Com 19 dias para conhecer o país, você poderá visitar os principais destinos e regiões do Marrocos e fazer um roteiro bem legal, e sem pressa! O único problema é que o mês de agosto não é, a princípio, um mês muito bom para visitar a região, principalmente devido ao calor. E também é nesse mês que ocorre o Ramadan, mês sagrado islâmico (em 2011, o Ramadan será entre os dias 1 e 29 de agosto).

Viajar no Ramadan requer alguns cuidados e algumas adaptações, mas pode ser também uma experiência cultural única. É importante respeitar as pessoas ao seu redor, por exemplo, não comendo em público ao longo do dia. Mas como o Marrocos é um local muito turístico, e depende desse turismo para sobreviver economicamente, você ainda encontrará alguns restaurantes abertos ao longo do dia, principalmente em Marraquexe ou em outras cidades onde o turismo é mais presente. Pelo lado positivo, dizem que a Praça Djemaa El-Fna fica ainda mais incrível após o pôr-do-sol no período sagrado, com todos saindo às ruas e comemorando. Certamente será uma experiência marcante!

Um problema um pouco maior será o calor do verão marroquino, em especial nas áreas desérticas e no sul do país.  Nas principais cidades, como Marraquexe, Fez, ou Meknes, fará muito calor, mas nada que muita água e alguma sombra durante o dia não ajude e uma noite no ar-condicionado não melhore!  O problema será menos nas regiões desérticas, como Merzouga ou Zagora. O calor nessas áreas pode ser absurdo, e tornar um passeio ao deserto uma aventura desagradável! Normalmente, o turismo nessas áreas praticamente desaparece em julho e agosto, que são consideradas épocas de baixa temporada.

Por outro lado, cidades costeiras, como Essaouira, vão estar bastante cheias, você poderá aproveitar as belas praias. Outros locais de temperatura mais amena, como Chefchaouen e Ifrane, também são boas pedidas para essa época do ano.

Como você vai estar sem carro, uma visita às Gargantas de Dades ou Todra ficará um pouco prejudicada, a não ser que você vá em um tour. A princípio, eu não gosto desses tours, porque acabam sendo muito corridos e muito mais caros do que um passeio por conta própria. Por outro lado, uma visita às dunas de Merzouga e uma noite no deserto são perfeitamente possíveis sem um carro, já que há um ônibus direto entre Fez e Merzouga.  De lá, os proprietários dos Riads te buscam na parada final do ônibus e te levam à sua hospedagem, de onde saem também as caravanas rumo ao deserto.

Mas, com 19 dias, você poderá fazer um roteiro semelhante a esse:

  • Marraquexe (4 noites);
  • Essaouira (1 ou 2 noites) – ônibus desde Marraquexe, aprox. 3horas;
  • Ouarzazate (1 ou 2 noites, se você for por conta própria) – ônibus, aprox. 5 horas, ou então contratar um tour em Marraquexe;
  • Meknes (2 ou 3 noites, incluindo um day-trip para Volubilis) – trem, desde Marraquexe;
  • Fez (3 noites) – trem, 1h de Meknes;
  • Merzouga (2 noites, incluindo uma noite no deserto) – ônibus noturno, desde Fez;
  • Chefchaouen (2 noites) – ônibus, aprox. 4 horas de Fez.

Considerando os deslocamentos (por exemplo, os ônibus noturnos entre Fez e Merzouga, e os trens), acho que esse roteiro acima pode ser uma boa base inicial para o seu planejamento.

A minha única preocupação é o calor no deserto. Não sei se isso inviabilizaria a noite nas dunas, o que seria uma pena. Mas vou pesquisar um pouco mais sobre isso.

Qualquer outra dúvida, é só perguntar. E, aos poucos, vamos montando um roteiro legal. Abraços!


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Perguntas e Respostas: Safáris por conta própria no Parque Kruger, África do Sul – Parte II

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Olá, estou refinando a minha pesquisa e surgiram mais dúvidas. Ficarei no park Kruger três dias e meio e fiz um roteiro que abrange a hospedagem em alguns restcamps, mas acho que exagerei, pois em alguns há uma distancia de 80 km. Será que é humanamente possível rodar dentro de um carro por todo esse tempo dentro do parque, ou é um bom planejamento já que essa distancia já estaremos fazendo o safári? Qual é uma distancia boa e confortável entre os restcamps?  É uma boa idéia rodar com o próprio carro por meio dia e contratar um desses passeios de meio período para completar o dia?
Ah, tenho outra dúvida. Estou pensando em entrar por Hoedspruit ou Phalaborwa e sair por Crocodile Bridge ou perto de Nelsprut. Sei que há locadoras como a Hertz e Avis, que podemos retirar o carro em um lugar e devolver em outro, mas essas locadoras são meio caras comparadas às locadoras locais. Sabe se essas locadoras locais também oferecem esse tipo de serviço, de retirar o carro em um local e retirar em outro? Mais uma vez obrigada.

A distância de 80 km entre os campos é bem razoável, e você poderá percorrer sem nenhum problema, em mais ou menos três horas, mesmo com a limitação de velocidade dentro do parque. Eu cheguei a percorrer 150 km ou mais em um dia! Apesar da velocidade máxima no parque ficar entre 40 e 50 km/h, você deve planejar uma média de 30 km/h, mais ou menos, considerando o tempo que você ficará parada observando os animais. Então, você só precisará de umas três no máximo para ir de um campo ao outro...

Normalmente, eu saía pela manha bem cedo do campo. Bem cedo mesmo, lá pelas 5h ou 5h30, quando o sol estiver nascendo e o parque abria os portões (cada parque tem um horário de abertura, então vale a pena conferir no site)... E ficava dirigindo até chegar o outro restcamp - normalmente chegava um pouco antes de meio dia, contando com uma parada para o café (existem restaurantes no parque, entre os campos. São bons lugares para um lanche ou um piquenique)... Nesse horário, os animais não estão muito ativos, então eu parava para almoçar ou descansar um pouco (alguns campos têm até piscina!). Retornava ao veículo em torno das 15h ou 16h, e dirigia mais um pouco até o parque fecharem os portões, em torno de 18h...

Os passeios guiados dos campos ocorrem no horário em que os portões não estão abertos (ou um pouco antes ou depois). Normalmente são três passeios: o do amanhecer, que começa lá pelas quatro ou cinco horas da manhã, ainda escuro. E termina em torno de sete ou oito da noite. O passeio do por do sol (sunset drive), que inicia em torno de cinco da tarde, um pouco antes do portão fechar, e vai até as sete, já de noite. O passeio noturno (night drive), que sai lá pelas nove, mais ou menos... Assim, você pode passear por conta própria o dia todo e fazer os passeios quando os portões já estiverem fechados!...

Ah, eu aluguei o carro em Durban e devolvi em Johannesburg. Mas como são cidades que ficam longe do parque, não acredito que sirvam ao seu roteiro. De qualquer forma, eu aluguei o carro em uma empresa chamada Tempest Car Hire, e não tive problema em alugar em uma cidade e devolver em outra - só tive que pagar uma taxa extra, mas não era muito. Eu confirmei o aluguel aqui do Brasil, pelo site, e foi bem fácil e simples. E bem mais barato do que nas empresas internacionais! Quem sabe você não dá uma olhada no site deles e vê se eles operam nas cidades que você deseja?

Espero ter ajudado! Qualquer dúvida é só perguntar!


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Dica de Leitura VII – Até o Fim do Mundo (1990)


Mais uma premiada obra de Paul Theroux, To The Ends Of The Earth (no original) apresenta uma coletânea de contos originais e trechos de algumas das mais famosas obras do escritor.
Neste livro, Paul Theroux relata um agradável fim de tarde na casa de Jorge Luis Borges em Buenos Aires e logo depois descreve um vôo repleto de emoção nos céus da China. Saboreia um banquete exótico de pratos elaborados com animais em extinção, e a seguir explora a América Latina da fronteira sul do Texas à extremidade da Patagônia — fazendo uma pausa em El Salvador para uma violenta partida de futebol.

Em 1988, Theroux atravessa a China na precária ferrovia “Galo de Ferro” com um inconveniente acompanhante governamental. Em uma estação ferroviária de Paris, o autor embarca no Expresso do Oriente, cuja rota vai até Istambul; depois passa uma gélida noite de Natal no Expresso Transiberiano. Pelas janelas de outro trem conhece um Vietnã ainda em guerra onde crianças brincam sem o olhar protetor de adultos, porque nenhum sobreviveu. 
Viajar, pelas palavras do autor, com sua visão penetrante e estilo impecável, é uma experiência que transcende qualquer turismo tradicional.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Perguntas e Respostas: Safáris por conta própria no Parque Kruger, África do Sul

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!
Oi Luiz, tudo bem? Estava olhando o seu site e me parece que você ficou hospedado no Lower Sabie Restcamp. Como é o lugar, é confortável? Tem banheiro privativo? E tem restaurante? Pergunto isso porque estou na duvida em ficar nesses campos ou pegar um hotel melhor fora do parque, já que esses melhores dentro do parque são muito caros. Nesses campos mesmo eu posso comprar os passeios para o parque? E por onde que você comprou os hotéis? Pelo site do Kruger National mesmo? Ou você recomenda outro campo tipo esse Skukuza? Tenho algumas duvidas sobre onde ficar lá e se você puder me ajudar eu agradeceria! Abraços.
Opa Thiago, tudo certo? No total, eu passei cinco noites hospedado dentro do Kruger, sendo três noites em Lower Sabie, uma em Satara e outra em Skukuza. De forma geral, eu recomendo muito que você fique em algum campo do próprio parque. Assim você consegue aproveitar muito mais o clima do local, além de poder ver os animais até o último minuto do dia - e fazer passeios noturnos guiados também, que você não conseguiria se estivesse hospedado fora. Os "restcamps" possuem uma infra-estrutura de primeira, com diversos tipos de hospedagem - de mais simples barraca de camping ao mais luxuoso dos quartos.
Nos três campos em que eu fiquei, me hospedei em dois tipos de acomodação: quatro noites em HUTS (que são quartos com cama, ar condicionado, geladeira, etc.) e a última noite em uma SAFARIS TENTS (que são umas tendas especiais, mas que possuem camas e ventiladores). Em ambos os casos, os banheiros eram externos e coletivos. Mas existem também opções mais luxuosas, com banheiros, cozinha completa, etc., e outras opções mais simples, com barracas de camping normais. Os preços variam muito dependendo do tipo de acomodação, mas uma noite para duas pessoas em um Hut sai em torno de 50 dólares, o que não achei muito caro.
Todos os campos têm infra-estrutura legal, e são bons lugares para ficar (veja a foto acima, que mostra a vista da sacada do restaurante do campo Lower Sabie!). Quantos dias você pretende ficar no parque? Se possível, vale a pena dividir a sua estadia entre mais de um campo, assim você conhece mais de uma região do parque, já que cada local tem uma vegetação e uma fauna típicas, e ao redor de cada parque você vê tipos diferentes de animais... Os três campos em que eu fiquei foram muito bons, principalmente o de Lower Sabie, mas vale a pena variar, com um ou dois dias em cada um.. Não se esqueça que o parque não é um zoológico, e ver os animais não é tão simples... Você passa um bom tempo procurando e rodando de carro até dar de cara com um leão, ou um elefante! Então vale a pena ficar pelo menos uns três ou quatro dias, para conseguir ver bem o maior número de espécies possível!
Não deixe de visitar o site oficial do parque (http://www.sanparks.org/parks/kruger). Lá você consegue acessar muitas informações sobre os campos, hospedagem, restaurantes, passeios, preços, etc.. Além disso, pelo site você faz a reserva da hospedagem, pagando com cartão de crédito. Não se esqueça que é fundamental reservar a hospedagem com muita (muita mesmo) antecedência, principalmente na alta temporada (nesse caso, é melhor reservar com seis meses de antecipação, ou até mais!).
Os campos possuem sim restaurantes, em alguns casos, com mais de uma opção - com lanchonetes, restaurantes, supermercados, etc. A comido normalmente é boa, mas não muito barata. Os campos também disponibilizam cozinhas para os seus hóspedes, mas dependendo da sua acomodação, você terá que levar os utensílios. Nos campos também há acesso a internet e lojas de conveniência. Mas nem sempre há caixas para sacar dinheiro, então vá com algum dinheiro em espécie para a gasolina - o parque aceita cartão de crédito para quase tudo, menos para a gasolina. Na África do Sul, o pagamento de gasolina só pode ser feito em dinheiro vivo!
Os passeios você deve reservar na recepção do restcamp onde você está hospedado. Existem várias opções de passeio com carros especiais (no nascer do sol, no por do sol, e noturnos), além de passeios à pé! Todos são excelentes e vale a pena fazer pelo menos um ou dois. Eles não são muito baratos, algo como 20 ou 30 dólares por pessoa, mas são experiências incríveis!
Em geral, é até mais barato ficar hospedado no parque do que nos hotéis na proximidade... Procure as opções mais econômicas em cada campo, e acho que você fará um bom negócio. Você também terá que pagar uma taxa diária para ficar dentro do parque, algo como 25 dólares - mas isso vale tanto para quem está hospedado dentro do parque como para quem vem passar o dia.
E não se esqueça também que, para ficar hospedado no parque e aproveitá-lo ao máximo, você precisa alugar um carro e dirigir por conta própria. É muito fácil, seguro, e qualquer carro popular dá conta do recado, não precisa ser um carro 4x4 ou um jeep. O aluguel do carro acaba sendo uma despesa extra considerável, mas não é tão caro assim e vale muito a pena!
Se eu tiver esquecido de alguma coisa, ou se você tiver alguma outra dúvida, é só perguntar!



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Como viajar acompanhado – e não querer matar o seu parceiro de viagem!

Viajar acompanhado, seja com um velho amigo ou com algumas amigas do trabalho, com a namorada ou com um grupo de pessoas da faculdade, nunca é uma tarefa simples. Além das diferenças naturais de personalidade, cada pessoa pode ter uma visão ou um objetivo diferente em relação às futuras férias. Conciliar essas vontades não é fácil, mas algumas dicas podem ajudar a tornar essa aventura uma experiência mais agradável e prazerosa, evitando brigas, discussões e outras situações desnecessárias. Então, anote as dicas abaixo e não deixe de levar uma cópia para os seus parceiros de viagem!

Escolha bem a sua companhia. Esse é o ponto fundamental. Na verdade, pode ser a diferença entre uma agradável experiência e uma série de frustrações. Enquanto uma dose de improviso e espontaneidade é desejável durante suas aventuras, o mesmo não se aplica quanto à escolha dos seus companheiros de viagem. Tente escolher alguma pessoa que você conheça bem e com quem você já tenha convivido por um bom tempo, inclusive em algumas situações de pressão e stress. Lembre-se que uma viagem não é feita apenas de bons momentos. Nas horas de stress e de dificuldade, você vai querer alguém que você possa confiar ao seu lado.  E isso não significa aquela pessoa com quem você está saindo há algumas semanas, nem aquele seu colega de chopp ou do trabalho.

Defina as suas expectativas. Discuta com seu parceiro a sua visão geral e expectativas para a viagem que se aproxima. O que você deseja? Praias ou cidades? Relaxar ou aproveitar a vida noturna? Uma viagem “mochileira” ou esbanjar em ótimos hotéis? Se seus objetivos não combinam, talvez seja melhor viajarem separados.

Acerte um orçamento básico. Antes de partir, defina o quanto vocês desejam gastar na viagem. Isso com certeza evitará discussões e debates desnecessários. Se você pensa em economizar cada centavo, não escolha alguém que adora se locomover de taxi. Se quiser comprar comida nos supermercados e assim economizar uns dólares fazendo sua própria comida, não escolha uma companhia que deseja se deliciar nos melhores restaurantes.

Se for necessário, separe-se por alguns instantes. Não se preocupe, vai valer a pena. Ressentimentos acumulados podem gerar um desastre quando os companheiros de viagem divergem em seus interesses, e uma pessoa constantemente tem que abrir mão dos seus desejos para se adaptar às vontades de outra. Então, se cada um quiser conhecer um local diferente, se separem por algumas horas – ou mesmo por alguns dias – e depois tornem a se encontrar. Todos vão sair ganhando.

Tenha educação e paciência. Mesmo que você tenha encontrado a parceria perfeita, um pouco de consideração e paciência com o outro é fundamental para que a viagem transcorra de forma suave e sem maiores problemas. Leve em conta os humores e a personalidade do outro. Entenda os seus desejos e vontades. Seja flexível. Ah, e seja sempre educado!



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Perguntas e Respostas: África do Sul, safáris e aluguel de carro

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!
Olá, mochileiro! Estou indo para a África em novembro e gostaria de seu ajuda. Li que é muito fácil alugar um carro e fazer o safári no parque Kruger, mas tenho algumas duvidas: há outras possibilidades, como por exemplo, contratar um tour lá no parque? Quanto custaria? Parece que alugar o carro perto do parque é bem caro, isso procede? Fazendo o safári sozinho é possível ver todos os bichos ou só com ajuda de um guia? Ah, outra coisa, é necessário fazer reserva nesse parque para esse período?
Oi, tudo bem? Sobre suas perguntas, a melhor maneira para visitar o Kruger é mesmo alugando um carro e indo por conta própria. Quando estive lá no ano passado, eu aluguei um carro aqui do Brasil mesmo, pela internet. No meu caso, eu peguei o carro em Durban e fui dirigindo pela costa, cruzando a Suazilândia, até chegar ao Kruger. De lá, fui para Johanesburgo, onde devolvi o carro. Mas no site me deram várias opções, então acho que você poderia pegar o carro em Johanesburgo e dirigir até o parque, não é muito longe - acho que umas quatro ou cinco horas. Mas existem sim outras opções, como contratar um tour em Johanesburgo ou com algum hotel nas proximidades do parque. Mas essa maneira provavelmente sairá bem mais cara, principalmente se você viajar acompanhada e dividir o custo do aluguel do carro com outra pessoa. Ah, eu aluguei o carro com uma empresa chamada Tempest Car Hire. Foi razoavelmente barato, e bem fácil.
Com um carro simples, mesmo um popular, e um bom binóculo, você pode ver os animais sem problemas. Mas é claro que o Kruger não é um zoológico, então você não vai encontrar os animais lá, esperando você. Dirija bem devagar e fique atento a todos os movimentos! E tenha paciência! Mas eu fiquei cinco noites no parque, em diversos campos, e no final consegui ver quase todos os animais que queria - dos famosos Big Five, só não consegui ver o Leopardo - ficou para a próxima viagem!
E lá dentro do parque, na maioria dos campos, você pode contratar passeios com guias - vale a pena fazer pelo menos um deles. Existem passeios pela manhã, pela tarde, e mesmo noturnos. Não é muito caro, e é uma experiência interessante. Mas para fazer esses passeios, você tem que estar hospedada no campo, e então você teria que ter o carro e dirigir até lá.
Sobre as reservas, é fundamental reservar logo a hospedagem dentro do parque, o mais cedo possível! Eu estive lá em fevereiro e tive que reservar acomodação com aproximadamente seis meses de antecedência! E peguei o último quarto disponível num dos campos! Os campos oferecem acomodação de diversos tipos e preços, então vale a pena procurar bem.
Eu fiquei três noites em Lower Sabie, uma em Satara e outra em Skukuza. Acho que foi uma boa combinação e pude ver diversos ambientes, vegetações e muito animais! Eu também passei dois dias no Parque Hluhluwe-Imfolozi e dois dias no  iSimangaliso Wetlands Park.

Qualquer outra dúvida, é só perguntar! Boa viagem!

domingo, 3 de julho de 2011

Dica de Filme VIII – Hotel Ruanda (2004)

Em 1994, um conflito político em Ruanda levou à morte de quase um milhão de pessoas em apenas cem dias. Entretanto, o massacre da população de Ruanda, um pobre país exportador de chá e café, localizado na região central do continente africano e ex-colônia da Bélgica, não foi capaz de mobilizar a imprensa internacional. Praticamente nada a respeito do assunto foi divulgado para os países do Ocidente.
Paul Rusesabagina (Don Cheadle, indicado ao Oscar pelo papel) é gerente do hotel Milles Collines, localizado em Ruanda. Esse estabelecimento recebe hóspedes do mundo todo e é muito conceituado pela qualidade de seus serviços e acomodações. Trata-se, evidentemente, de um hotel de luxo. Apesar de trabalhar nesse ambiente rico e privilegiado e também de ter uma vida confortável numa casa de bom padrão, Paul vive num país a beira do caos, uma autêntica bomba relógio prestes a explodir...
Seu país é uma ex-colônia belga dividida entre duas etnias, os hutus e os tutsis. Avesso aos problemas políticos, Paul é uma pessoa muito bem informada quanto às pendências e disputas por trabalhar num dos locais onde se reúnem autoridades locais e internacionais que discutem o futuro de Ruanda. Pelos corredores de seu hotel circulam diplomatas, políticos, generais, representantes das Nações Unidas, investidores estrangeiros e turistas.
O hotel Milles Collines, em virtude de sua importante clientela internacional, torna-se então um local relativamente protegido contra os abusos e violências praticados na guerra. Quando estoura o conflito muitas pessoas (tanto da população local quanto estrangeiros que estão no país) buscam refúgio no estabelecimento gerenciado por Rusesabagina.
É nesse momento que se revela a grande história que movimenta o filme e que sensibiliza os espectadores, Paul recebe os refugiados e se torna protetor de todos aqueles que estão escondidos no Milles Collines, inclusive sua mulher e filhos.
Hotel Ruanda é um filme que tem como temática central a humanidade de seu personagem principal. Paul Rusesabagina é um daqueles anônimos heróis que, a despeito de qualquer glória que possam atingir, age movido pelo coração e pela fé apesar do medo e das ameaças que sofre. Numa atmosfera em que a morte ronda a todos (há milhares de corpos de vítimas inocentes jogados pelas ruas e rios da região), era preciso ter muita coragem e dignidade para enfrentar as hostilidades e é nesse quesito que a história contada em Hotel Ruanda conquista espectadores no mundo inteiro...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Perguntas e Respostas: No momento, é seguro ir ao Egito?

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos à pergunta do dia!

Estou planejando ir ao Egito com meu marido em outubro deste ano, mas um guia que mora lá e acompanhou uns amigos no ano passado disse que ainda tem muita confusão e que eu deveria aguardar para ver o que ia dar. Eu, particularmente, não tenho medo de ir, mas queria saber se está tranqüilo. Já pensou se compro a passagem agora e depois não posso ir? Agradeço se puder me ajudar. 

Eu estou sempre acompanhando as novidades sobre a situação no Egito pelo fórum da Lonely Planet, que acredito ser um dos melhores lugares para se manter atualizado sobre a situação para viagens. De acordo com a maioria das pessoas que escrevem lá do Egito, a situação em geral é tensa, mas a princípio sem violência específica contra o turista. De acordo com as informações do pessoal de lá, houve certo aumento no número de crimes de rua (roubos, furtos, etc.), mas principalmente devido à crise econômica que surgiu com os protestos e pela ausência de policiais nas ruas para combater crimes comuns, já que estão mais ocupados com os eventuais protestos.

Outro ponto que eles mencionam é a operação dos trens, que ainda é incerta e intermitente. Vale a pena ficar de olho e acompanhar o funcionamento dos transportes, já que isso pode prejudicar o planejamento de qualquer viagem. Os museus e atrações arqueológicas parecem estar funcionando normalmente, apesar de bastante vazios.

De modo geral, acho que não é uma boa época para ir ao Egito, e eu, pessoalmente, adiaria uma visita para outra época (e foi isso que de fato eu fiz, mudando meus planos para as próximas férias, em janeiro, e agora vou para o sudeste asiático). Vale lembrar que há eleições planejadas para o mês de dezembro, que podem complicar novamente as coisas.

Eu sei que cada destino é único, com suas atrações e seus encantos, mas acho que você deveria pensar em outros países - Marrocos, talvez? - Mas se decidir ir, fique atento à situação geral, e também específica contra os turistas. O fórum do Lonely Planet para mim é a melhor ferramenta, mas sites de notícia estrangeiros também podem oferecer boas informações.


Qualquer dúvida, estou à disposição. Abraços e boas férias!