terça-feira, 31 de maio de 2011

Perguntas e respostas: Uma semana no Peru. Para onde ir?

Sempre recebo e-mails e mensagens de pessoas com dúvidas sobre viagens. São perguntas sobre roteiros, atrações, hospedagem, dinheiro, passagens aéreas, etc. Então, resolvi criar uma seção de perguntas e respostas, que postarei aqui no Cruzando Fronteiras sempre que houver alguma pergunta interessante e que eu ache que possa ser útil para os demais leitores. Portanto, se você tiver alguma dúvida ou quiser uma ajuda no planejamento de sua viagem, é só entrar em contato. Se puder, adorarei ajudar! E quem sabe sua pergunta não aparece aqui no Blog. Vamos a pergunta do dia!
Estou planejando uma viagem ao Peru. Mas só tenho uma semana de férias. Para onde devo ir e o que devo ver?
É evidente que uma semana não é suficiente para conhecer o Peru. Nem mesmo para visitar suas principais atrações. Assim, é melhor você restringir sua viagem ao que mais te interessa. No seu caso, aposto que é Machu Picchu! Então, é melhor ir direto ao ponto. Para conhecer à Machu Picchu, você deve primeiro se dirigir à Cuzco, ponto de partida para chegar à mais famosa atração peruana. Mas a cidade de Cuzco é também uma grande atração para qualquer viajante nas terras incas. E para conhecer a cidade e os inúmeros pontos de interesse em seu entorno, na região conhecida como Vale Sagrado dos Incas, você precisará de pelo menos quatro dias. Se incluirmos o dia de visita à Machu Picchu, temos já cinco dias de suas férias ocupados nessa bela região. Para os dois dias restantes, temos duas opções:
a)      Aproveitar a escala do seu vôo em Lima e passar os dois dias iniciais de sua viagem conhecendo a bela capital peruana, com sua impressionante arquitetura colonial. Hospede-se no bairro de Miraflores, aproveite a costa do pacífico, os interessantes museus e a vida cultural da cidade. Faça essa parada no vôo de ida, deixando o melhor – Machu Picchu – para o final!
b)      Partir de Cuzco de ônibus e ir à cidade de Puno, nas margens do Lago Titicaca. A cidade em si nem é tão bela, mas a beleza do lago compensa, assim como as incríveis e famosas ilhas flutuantes. Saia pela manha de Cuzco, chegando a Puno no início da tarde. Ao chegar, reserve o passeio às ilhas flutuantes para a manhã seguinte e vá conhecer a cidade e as margens do Titicaca. Na manhã seguinte, faça o famoso passeio, tire muitas fotos e ao regressar, retorne direto para Cuzco. De lá, tome seu vôo para o Brasil!  
Tendo tão poucos dias disponíveis, é importante maximizar seu tempo útil. Sendo assim, procure vôos diretos e que saiam em horários convenientes – ou seja, que não te façam perder muito tempo indo e vindo! Se possível procure um vôo que te leve do Brasil à Cuzco, evitando fazer o trajeto Lima-Cuzco de ônibus. Apesar de ser mais barato do que a passagem de avião, esse trajeto rodoviário leva até 24 horas, o que seria um desperdício enorme no seu caso!
Pela TACA ou pela TAM é possível comprar bilhetes do Brasil até Cuzco, com escala em Lima. Pergunte à companhia sobre a possibilidade de fazer um stop-over em Lima, se quiser conhecer a cidade. Se não for possível, compre a ida até Lima e a volta a partir de Cuzco. Depois compre o bilhete Lima-Cuzco em separado, nas empresas Peruvian Airlines ou Star Peru, que são mais econômicas (o trecho custa aproximadamente U$ 100).
Se você conseguir mais alguns dias de férias, não deixe de conhecer a bela cidade de Arequipa, ou as famosas Linhas de Nazca. Ambas são grandes atrações que merecem uma visita!
Para conhecer mais sobre o Peru, não deixe de ler um bom guia ou então acessar os sites sugeridos para o planejamento de sua viagem. Ah, e sobre como levar seu dinheiro, veja nesse artigo as melhores opções!
Boa viagem!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Frase da Semana

“Escolha os vizinhos antes da casa, e os companheiros de viagem antes do destino.”

                                                         Provérbio Árabe

sábado, 28 de maio de 2011

Relato de Viagem, parte 9: Fez, a cidade imperial

A distância entre Ifrane e Fez é curta e o trajeto é feito em pouco mais de uma hora. Antes mesmo do meio dia já estacionávamos ao lado da estação ferroviária e nos dirigíamos para o Hotel Ibis, onde ficaríamos nos próximos quatro dias. O hotel não era especial em nenhum aspecto, mas oferecia o essencial para proporcionar um merecido descanso, após o extenuante ritmo das semanas anteriores. A viagem estava chegando ao fim. Esta seria a última parada antes do destino final, Casablanca.
Fez é a segunda maior cidade marroquina, com aproximadamente um milhão de habitantes. É uma cidade histórica, fundada em 789 por Idriss I, que governou o Marrocos por apenas quatro anos, entre 788 e 791. Já foi a capital do país e hoje sua Medina é considerada patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO. A sua principal Universidade, Al-Karaouine, fundada em 859, é a mais antiga universidade ainda em funcionamento no mundo.
Todo esse passado e importância histórica são sentidos no momento em que atravessamos os enormes portões da cidade antiga, Fez El Bali. Como viajantes do tempo, retornamos a um mundo de mercadores árabes e berberes, de vielas e carroças, de cheiros e sons, que nos embriaga e confunde. Após um período atravessando estradas e descobrindo o deserto, com sua solidão e silêncio, somos novamente surpreendidos com a confusão e os ruídos da Medina, apesar de já termos vivido algo semelhante em Marraquexe. A alma marroquina está mais viva do que nunca nas pequenas tendas onde aproveito os últimos dias da viagem para comprar alguns presentes e lembranças. O grande esforço e o longo debate para se atingir um preço um pouco mais justo confirmam a fama de firmes negociantes dos marroquinos. Mas é algo que um turista dificilmente consegue evitar, e nem deveria. Afinal, negociar é parte da brincadeira.
As mesquitas são uma visão comum na Medina, estão por toda a parte. O freqüente chamado para oração é a trilha sonora de qualquer viagem ao Marrocos. Infelizmente, a entrada é proibida para os que não são muçulmanos. Me resta, portanto, ficar do lado de fora, tentando fotografar ou espiar pela porta ou qualquer fresta que surja e permita uma breve visão do seu interior belo e trabalhado.
Outra famosa atração da cidade são as “tinturarias” a céu aberto, também conhecidas como tanneries. Dos terraços das casas vizinhas, se observa centenas de recipientes talhados em pedra e preenchidos por substâncias dos mais diversos tons, utilizados no tingimento do couro da região. Depois de tingidos, são pendurados para secar. É uma visão estranha e curiosa, e o terrível odor completa um cenário excêntrico. Mais uma amostra da fascinante cultura local.
Encontrar as tanneries não é uma tarefa fácil no enorme labirinto da Medina. Dezenas de jovens rapazes se oferecem para nos guiar, em troca de um euro ou dois. Mas para aqueles que desejam caminhar com conta própria, só resta vagar pelas vielas tentando esbarrar no local procurado, quase que por obra do acaso. A única pista são os próprios “guias”. Um crescente número de ofertas e abordagens nos mostra que estamos nos aproximando do local correto.
A algumas dezenas de quilômetros de Fez situa-se outra grande atração, muitas vezes desconhecida dos turistas e viajantes. Volubilis é um sítio arqueológico onde estão localizadas as mais bem preservadas ruínas romanas do norte da África. Assim como a Medina de Fez, Volubilis também foi decretado patrimônio da humanidade pela UNESCO.
Uma visita a este grandioso local é um experiência imperdível. As colunas e arcos, assim como os incrivelmente preservados mosaicos, nos dão uma breve visão de como seria a vida neste remoto canto do Império Romano. O estado de preservação das ruínas surpreende e talvez seja explicado pela sua localização um pouco remota. Ainda distante da legião de turistas que invade Roma todos os anos, Volubilis pode oferecer um pouco de paz aos seus visitantes. Observar a paisagem sem qualquer pessoa por perto, sentado nos degraus do antigo Fórum ou descansando sob os arcos construídos por ordem do imperador Caracallas, é um grande privilégio.
Com tantas atrações, logo os quatro dias se passam e chega a hora de retornar o carro alugado em Essaouira e me dirigir à bela e moderna estação ferroviária de Fez, onde embarcaria no trem que parte rumo à Casablanca. Seria meu primeiro trecho ferroviário no país, e estava ansioso por essa experiência.
Pontualmente, o trem partiu. Seriam quatro horas até a maior cidade do país. Na mesma noite, embarcaria no vôo que me levaria ao Brasil após dezessete dias de aventuras marroquinas.

(Este post é a nona parte do relato da minha viagem ao Marrocos, em janeiro de 2011. Acompanhe os trechos anteriores em meus posts mais antigos, e fique atento às novas atualizações)


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dica de Filme V - Buena Vista Social Club (1999)

A cultura cubana sempre esteve diretamente ligada à música e à dança. Sendo assim, nada melhor do que um belo documentário sobre os principais músicos cubanos contemporâneos para nos fazer conhecer melhor a vida do povo de Cuba.

Buena Vista Social Club é um documentário de 1999, produzido na Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Cuba e França, com roteiro e direção de Wim Wenders. Retrata com maestria (e um cenário musical de primeira) a vida de um grupo de artistas cubanos que durante muitos anos viveram no ostracismo, muitos deles sem tocar seus instrumentos por mais de dez anos.

Em 1996, o produtor musical Ry Cooder viajou a Havana com a expectativa de encontrar artistas cubanos e reuni-los para a gravação de um disco. Entre eles estavam Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Eliades Ochoa, Faustino Oramas e Rubén Gonzáles. Foi gravado, assim, o disco que dá nome ao filme e cujo título é uma referência a uma antiga cada de shows localizada em Havana, fechada nos anos 50.

Esse filme é imperdível para todos aqueles que gostam de música latina e para aqueles que desejam conhecer melhor a vida e a cultura de Cuba. Recomendado!



domingo, 22 de maio de 2011

Dica de Leitura V - Hans Staden


O livro de Hans Staden é um grande clássico da literatura histórica. É o primeiro grande relato sobre o Brasil do séc. XVI e pode também ser considerado um dos primeiros relatos de viagem passados em terras brasileiras. É um livro relativamente curto e de fácil leitura, relatando viagens e aventuras ultramarinas, naufrágios, selvagens, luta pela sobrevivência e canibalismo.
O livro relata as aventuras de Hans Staden em terras brasileiras. Ele foi um aventureiro mercenário que passou por duas vezes pela América Portuguesa no início do séc. XVI, onde teve a oportunidade de participar de combates nas Capitanias de Pernambuco e São Vicente, além de ter sido capturado e feito prisioneiro pelos índios da região. Em seu tempo no cativeiro, relatou os costumes e a vida dos habitantes nativos. Para os estudiosos, a obra contém informações de interesse antropológico, sociológico, lingüístico e cultural sobre a vida, os costumes e as crenças dos indígenas do litoral brasileiro na primeira metade do século XVI.
Essa edição, com tradução de Pedro Süssekind, possui ilustrações originais e uma leitura bastante agradável. Considero este um livro fundamental para todos os amantes de livros de aventura. Recomendo!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Guias de viagem: qual escolher?

Está disponível no mercado um grande número de guias para os mais variados países. Se considerarmos os guias produzidos no país, aqueles já traduzidos para o português e ainda os importados, um viajante pode escolher dentre uma dezena de opções ou até mais, dependendo do destino escolhido. Por isso, sempre encontro viajantes com a mesma dúvida: qual guia levar?

Inicialmente, temos que levar em consideração a língua em que o guia está disponível. Caso o viajante não deseje um guia em inglês ou mesmo em espanhol, as suas escolhas ficam bastante reduzidas. Infelizmente, os melhores guias ainda são os importados, como é o caso do Lonely Planet e do Rough Guide. Mas temos alguns bons guias em português, que podem auxiliar nesses casos.

Um guia nacional de qualidade é o “O Guia Criativo para o Viajante Independente”, disponível para a Europa e América do Sul (incluindo guias específicos para a Argentina e Chile). Esses guias são produzidos pela equipe do site O Viajante, e são úteis para mochileiros que não dominam o inglês. São os únicos guias específicos para mochileiros produzidos no país. Infelizmente, esses guias não são atualizados tão constantemente como os guias estrangeiros. A última edição do Guia para a Europa, por exemplo, é de 2008, uma eternidade para guias de viagem, já que hotéis, restaurantes e os preços das atrações estão mudando a toda hora!

Outra opção nacional é o Guia do Turista Brasileiro (GTB). São pequenos e simpáticos guias, disponíveis para a Argentina, Peru, Bolívia e Itália, além de edições específicas para Londres e Nova Iorque. Eu já utilizei esse guia em minha viagem ao Peru e à Bolívia e gostei. Apesar de ser um guia simples, é prático e direto. Não são guias voltados especificamente para mochileiros, mas as recomendações são variadas em relação aos preços e à qualidade. Infelizmente, também possui os mesmos problemas de atualização quando comparamos aos guias importados.

Existe, ainda, o Guia Visual Publifolha. Eu também já utilizei esses guias em minhas viagens e não gostei. Apesar de bonitos e coloridos, contendo belas imagens e ilustrações, não são bons em relação a recomendações de hotéis, restaurantes e transportes. Isso acaba prejudicando a sua função como um guia, já que os utilizo exatamente para me orientar nesses aspectos. Porém, como uma forma de conhecer mais o seu destino e as suas atrações, vale a pena dar uma lida.

Partindo para os guias importados, o meu favorito é o Lonely Planet, o mais vendido guia de viagem do mundo. Além de serem bastante atuais, com novas edições lançadas a cada ano (apesar das mudanças de um ano para o outro não serem muitas), esses guias são bastante focados nos viajantes independentes, e oferecem desde opções econômicas até algumas alternativas de luxo – para aqueles momentos em que você quer esbanjar um pouco. Além disso, o panorama histórico, político, social e cultural que o guia oferece me ajuda muito a entender o país que estou visitando. Existem guias em inglês e espanhol, e estão disponíveis para praticamente qualquer país do mundo! Este é, sem dúvida, o guia que eu mais recomendo.

Mas o Lonely Planet não é perfeito, é claro. Já tive problemas com guias pouco atualizados e com informações equivocadas, principalmente nas edições da Venezuela e da Colômbia. Na África do Sul alguns preços estavam bastante desatualizados, o que prejudicou o planejamento da viagem. Mesmo assim, ainda acho que os guias são muito bons. Afinal, não existem guias perfeitos!

Outro guia importado que já utilizei foi o guia Rough Guide. Semelhante ao Lonely Planet, é bastante completo, inclusive nas informações gerais dos países. Oferece uma visão cultural e histórica muito boa, além de informações detalhadas das cidades e regiões. Eu utilizei esse guia em minha viagem ao Peru, e li também a versão sobre o Marrocos. É, sem dúvida, um guia de muita qualidade. Existem versões para muitos países, geralmente em inglês – mas já encontrei algumas versões traduzidas para o português.

Além dos guias citados acima, existem ainda muitos outros, com as mais diversas características, como o renomado Guia Michelin, o Frommer’s, o Let’s Go (que por um tempo disputou com o Lonely Planet a preferência mundial dos mochileiros), o Footprint, o Fodor’s e muitos outros. Alguns deles eu já li e experimentei, outros ainda não. Acredito que um viajante deve experimentar os guias disponíveis e compará-los. Só assim cada um descobre o guia que combina mais seu estilo.


PS: Seguindo a dica do colega Alessandro, do fórum Mochileiros.com, os viajantes que buscam um guia em português têm também a opção do Guia Frommer's Europe, agora totalmente traduzido, com 1052 páginas. Eu não conheço essa guia pessoalmente, mas vou procurar nas livrarias para ler e avaliar! Valeu pela dica!



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Top 5 – Os cinco destinos dos seus sonhos

Inspirado por pesquisas semelhantes nos fóruns do Lonely Planet e do site Mochileiros.com, resolvi perguntar a vocês visitantes do Cruzando Fronteiras: qual é o destino dos seus sonhos? Quais países ou cidades você adoraria conhecer? Qual é o seu local favorito para passar as férias?

Escolha seus cinco destinos favoritos e comente aí em baixo. Eu já listei os meus, sem uma ordem de preferência:

1 - Tailândia
2 - Marrocos
3 - China
4 - Egito
5 – África do Sul

PS: Ah, se pudesse escolher mais alguns, acho que acrescentaria Índia e Cuba à minha lista!


Quero conhecer a opinião de vocês, então não deixe de comentar!



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Frase da Semana


“Travel across foreign nations, leave your homeland behind. In the effort and exhaustion of travel, you will find the savor of life.”


                                                                                    Al-Imam Al-Shafi, jurista islâmico (767 - 820)


                                 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Dica de Filme IV – Quem quer ser um milionário? (2008)

Indicado a 10 Oscars e tendo vencido oito deles, incluindo o de melhor filme, diretor e roteiro, Slumdog Millionaire, no original, foi um grande sucesso de público e de crítica. Muitos de vocês já devem ter assistido a esse filme, inclusive. Mas essa produção inglesa de 2008, dirigida por Danny Boyle e baseada no livro "Q & A" do autor indiano Vikas Swarup é um obra imperdível.

Rodado na Índia, o filme conta a história de Jamal Malik (interpretado por Dev Patel), um jovem morador das favelas de Mumbai que aparece na versão indiana do famoso programa de televisão “Quem quer ser um milionário”. Partindo desse enredo, o filme retrata de forma cruel a realidade indiana, com sua miséria, violência e abuso infantil. Tudo isso envolto em uma gigantesca metrópole com mais de 20 milhões de habitantes. Apesar do cenário pesado, o filme encontra espaço para um pouco de humor e tem, ao fundo, uma bela história de amor.

Esteticamente, destaca-se o visual de cores saturadas, a câmera veloz e inquieta e a montagem perturbadora, que podem fazer com que os espectadores recordem o sucesso nacional Cidade de Deus, de estética bem parecida (com direito inclusive a uma nova versão da cena da galinha correndo pelas vielas da favela).

Vale também lembrar que o diretor Danny Boyle já participou de outras produções brilhantes, como Trainspotting (1996) e Cova Rasa (1994), duas obras excelentes que também merecem ser assistidas.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Relato de Viagem, parte 8: Das dunas douradas aos brancos picos nevados, a completude marroquina

As dunas de Merzouga não eram mais do que uma imagem minguante no empoeirado retrovisor. À frente, as montanhas se aproximavam lentamente, e os picos nevados demarcavam minha próxima parada. Seria mais um longo dia ao volante, em direção à Fez, com uma breve parada no caminho. Tentando decifrar o complexo mapa marroquino, segui por oito longas horas guiando meu pequeno, mas valente Sukuzi pelas montanhas. Contornando as encostas e desafiando desfiladeiros, atingi a elegante cidade de Ifrane, no topo dos Atlas, já ao fim da tarde.

O cenário ao longo do trajeto era majestoso. Inspirado pela beleza do Saara e ansioso pela noite fria e nevada de Ifrane, mal senti passarem as horas. O sol forte e um céu azul sem nuvens colaboravam para uma bela visão, enquanto a paisagem ia mais uma vez se transformando do deserto dourado e arenoso, ao clima montanhoso de árvores coníferas. As estradas eram quase sempre vazias, com exceção de algum eventual caminhão, que seguia buzinando pelas estreitas curvas, tentando evitar uma colisão. O clima se tornava frio e úmido à medida que avançávamos. Logo o marrom deu lugar ao cinza das pedras e este ao verde da vegetação de altitude.

Atingimos o topo da cadeia de montanhas no início da tarde. Logo depois, avistamos surpresos o branco da neve. Apenas algumas horas após deixarmos nossos dromedários descansando em frente ao Riad, estávamos cercados pelo gelo e frio, numa cidade conhecida como a “Suíça marroquina”.

Ifrane é uma pequena cidade encravada na cordilheira dos Atlas. Famosa por sua estação de esqui, foi desenvolvida pelos franceses durante o período de protetorado, sendo escolhida como sede da administração colonial devido ao seu clima agradável (na perspectiva francesa, é claro).  Com uma atmosfera claramente européia e tomada por chalés e lareiras, a cidade conta também com um grande palácio de verão do Rei. Recentemente, este mandou construir uma universidade privada com aulas na língua inglesa, em uma parceria estratégica com o governo norte-americano.

 
Não se poderia imaginar um contraste maior entre duas cidades. Tomando café da manhã na vila berbere de Merzouga, após uma noite sobre as areias do Saara, descansar ao fim do dia junto à lareira quase alpina da cidade quase francesa de Ifrane. Uma visão curiosa de uma elite marroquina, onde véus eram raros e as ruas não tinham espaço para jumentos, carroças ou vendedores de poções. Apesar de europeizada e mesmo elitizada, as ruas impecáveis de Ifrane eram tão marroquinas quanto o caos da Medina de Marraquexe. Eram apenas dois extremos de um país complexo e milenar.


(Este post é a oitava parte do relato da minha viagem ao Marrocos, em janeiro de 2011. Acompanhe os trechos anteriores em meus posts mais antigos, e fique atento às novas atualizações)



sábado, 14 de maio de 2011

Dica de Leitura IV - Nos Confins do Mundo

A teoria da evolução de Charles Darwin representou um marco na história do pensamento científico. Ao descartar a intervenção divina na criação da espécie humana, o naturalista britânico transformou radicalmente a visão que o homem moderno tinha de si mesmo, iniciando uma revolução conceitual cujas conseqüências são vistas até os dias de hoje.

Entretanto, se Darwin tem seu nome gravado no panteão da História, menos conhecida é a trajetória de Robert FitzRoy, sem cuja participação a teoria de Darwin talvez nunca existisse. Com apenas 23 anos, FitzRoy recebe da Marinha britânica o comando do Beagle. Ele deve levar a embarcação até o outro lado do mundo, à selvagem Terra do Fogo, e sua missão é fazer o levantamento cartográfico da região. O comandante FitzRoy recebe Charles Darwin a bordo do Beagle. Aspirante a clérigo, o jovem de 21 anos vai integrar a expedição de quatro anos que deu a volta ao mundo. Apesar da diferença de temperamento entre Darwin e FitzRoy, a viagem representa o início de uma amizade sincera entre os dois, que compartilham a paixão pela ciência. Ambos perseguem a “verdade”, ainda que suas crenças e conceitos se encontrem em pólos opostos.

Esse romance-histórico, intitulado This Thing of Darkness na versão original inglesa, é escrito de forma brilhante por Harry Thompson e foi publicado em 2005, ano da morte do autor.

Apesar de não ser um livro de viagens e aventuras propriamente dito, é um romance baseado em fatos históricos, que trata de uma das mais importantes viagens da história da humanidade. É uma leitura eletrizante e que, apesar de suas mais de 700 páginas, prenderá o leitor até o final.



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Planejando a sua próxima viagem: sites que podem ajudar

Está pensando em viajar nas suas próximas férias? Tem uma idéia de viagem, mas não sabe por onde começar a planejar? Gostaria de conhecer a Europa, mas não que ir em uma excursão, onde você será só mais um num grande grupo?

Muitas pessoas me pedem dicas sobre viagens independentes, perguntam sobre bons roteiros ou querem sugestões sobre os variados destinos. As dúvidas vão desde “para onde ir?” até “conhece um bom hotel nessa cidade?”. Como são poucos os destinos que visitei pessoalmente, a maioria das dicas que repasso vem de conhecimentos adquiridos em sites e fóruns sobre viagens. Nesses locais, com tempo e paciência, é possível obter a mais variada gama de informações e se preparar para qualquer viagem.

Antes de tudo, porém, é necessário decidir para onde ir. Em busca informações gerais, costumo entrar no site Wikitravel onde encontro dados sobre países, cidades e atrações. Em uma espécie de Wikipédia do turismo, os usuários alimentam as mais variadas dicas sobre todos os destinos turísticos possíveis. É um excelente lugar para se inspirar... e para matar o tempo também!

Um fator determinante ao me decidir por um destino é o preço das passagens aéreas. Para isso, costumo entrar nos sites Decolar e Submarino Viagens. Pesquisando por destinos e datas alternativas, procuro por descontos e bons negócios. Mas, atenção: às vezes é melhor comprar os bilhetes diretamente com as empresas aéreas. Então, após encontrar uma passagem no Decolar, entro no site da companhia aérea e busco o mesmo roteiro na mesma data. Isso pode representar uma boa economia! E você ainda tem a praticidade de lidar diretamente com a empresa, sem intermediários.

Com o destino escolhido e as passagens compradas, agora é hora de pensar no roteiro. Além do Wikitravel, bastante útil, vale a pena uma visita ao fórum da Lonely Planet, em inglês, ou ao site Mochileiros, para uma versão brasileira. Em ambos os sites você encontrará muitas dicas de pessoas que já estiveram no seu país de destino e podem te ajudar a planejar.

Com as cidades definidas, busque algumas sugestões de hotéis ou pousadas no site Tripadvisor, onde usuários cadastrados avaliam locais de hospedagem. Com dezenas ou centenas de críticas para cada hotel, a credibilidade de cada avaliação é bem grande, melhor até do que um guia de viagens, onde sua fica dependendo de apenas um ponto de vista. Então, anote as sugestões e leve-as com você, mesmo que decida não reservar a hospedagem com antecedência!

Além dos sites mencionados acima, sempre vale a pena comprar um guia de viagem e levá-lo na sua bagagem. Mesmo sendo imperfeitos, ajudam no planejamento e no dia a dia no exterior. Tanto ao procurar um restaurante ou hotel, quanto para conhecer mais sobre o seu destino. Em um próximo post, analisarei os guias disponíveis, apontando as vantagens e desvantagens de cada um. Fique atento!


Frase da Semana

"Um bom viajante não possui planos fixos
E não está preocupado em chegar."

Lao Tsé, Tao Te Ching - Capítulo 27 (conforme traduzido por Stephen Mitchell)


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Como levar o seu dinheiro em uma viagem - e economizar um pouco!

Sempre me perguntam como faço para levar o dinheiro em uma viagem: compro dólares? Levo uma quantidade em moeda do país de destino? Compro cheques de viagem ou o cartão Visa Travel Money? Na verdade, eu já experimentei todas essas opções. Atualmente, prefiro não me preocupar com isso. A opção mais prática, fácil e até mesmo mais econômica é simplesmente sacar o dinheiro com o meu cartão de débito.

Isso mesmo! Exatamente como no Brasil! Chegando ao país de destino, a primeira coisa que faço é me dirigir a um caixa eletrônico, onde retiro um montante em moeda local. E não preciso mais me preocupar em pagar aquela corrida de taxi com dólares ou ir atrás de uma casa de câmbio no aeroporto, onde certamente não farei um bom negócio.

Mas para aproveitar bem os saques no exterior, temos que nos preocupar com alguns detalhes.

Antes de viajar, procure a sua agência ou entre no site do banco e libere a função “saques no exterior” no seu cartão de débito. Atenção: é no débito mesmo, não é no cartão de crédito! Se você efetuar saques no crédito, terá que pagar aqueles juros exorbitantes. No débito, não há essa cobrança!

Aproveite e confira as taxas cobradas pelo seu banco para essa transação. As taxas variam muito em relação a cada banco, então vale a pena ficar de olho! No meu caso, eu utilizo meus cartões do Itaú e do Bradesco. O Itaú cobra nove reais a cada saque, o Bradesco, um valor fixo de US 2,50 somado a um percentual de 2,42% do valor sacado. Na única vez em que utilizei meu cartão do Bradesco, a tarifa ficou em de R$ 15,87. O Banco do Brasil informa em seu site uma cobrança semelhante à praticada pelo Bradesco, enquanto no Santander a tarifa é de R$ 13,50.

Além das tarifas, as taxas de câmbio também variam de banco a banco. Então, confira com a sua agência e compare!

Como as tarifas são fixas, pelo menos em parte, vale sacar o máximo possível de cada vez. Sendo assim, preste atenção ao valor máximo permitido para saque em cada país, e sempre retire nesse montante. Você economiza nas tarifas e ainda reduz suas idas ao caixa automático.

Além da praticidade, outros fatores influenciam na escolha pelo saque internacional em detrimento às demais opções. Uma delas é a cobrança do IOF. Por motivos além da compreensão humana, a cobrança do IOF para saques internacionais é distinta do percentual aplicável às compras com o cartão de crédito. Ao efetuarmos um saque no cartão de débito, o IOF aplicável é de 0,38%. Em uma compra com o cartão de crédito, o valor é de 6,38%! Isso, com certeza fará uma diferença no valor final, mesmo considerando a tarifa aplicada para saques.


Outras opções

Se você ainda pensa em levar cheques de viagem, os famosos Traveller’s Checks, esqueça! Nos últimos anos, caíram em desuso, principalmente com a popularização dos cartões de débito e crédito. Atualmente não são nem um pouco práticos, além de financeiramente desvantajosos. É claro que há a questão da segurança, mas não compensa a burocracia de ter que procurar um local para trocá-los, especialmente em cidades pequenas, e as taxas que serão cobradas assim que você encontrar uma casa de câmbio disposta à recebê-los.

Os cartões pré-pagos, como o Visa Travel Money, são outra possível opção. Porém utilizam a taxa de câmbio do dólar turismo, que é menos vantajosa do que as taxas utilizadas nos saques internacionais e nas compras com cartões de crédito. Mas são seguros, práticos e permitem a compra na função débito, sem o pagamento de taxas. Para os saques, entretanto, há cobrança de uma taxa de U$ 2,50 a cada operação.

Levar dólares ou euros em espécie é a opção mais comum dos viajantes. Entretanto, temos que considerar alguns aspectos, sendo o principal deles o risco de viajar com um montante elevado escondido junto ao corpo. Em alguns países, isso pode ser crítico! Além disso, a taxa de câmbio praticada na compra do papel moeda é a mais prejudicial ao turista, tornando esta uma opção desvantajosa do ponto de vista financeiro. Ah, e ter que localizar casas de câmbio, comparando as taxas utilizadas não é nada prático!

Comprar a moeda do país de destino no Brasil é um péssimo negócio! Dependendo do país a ser visitado é bastante difícil localizar alguma agência de câmbio que disponibilize a moeda desejada. E, mesmo encontrando uma, a taxa de câmbio utilizada provavelmente será muito desvantajosa! Se quiser levar dinheiro em espécie, prefira levar dólares ou euros, mesmo tendo que efetuar o câmbio duas vezes.


Diversifique!

Levando-se em conta as vantagens e desvantagens de cada operação e tentando minimizar o risco de alguma coisa sair errada, a melhor opção é diversificar. Normalmente, levo um montante em dinheiro vivo, para emergências. Algo como U$200 ou U$300, dependendo do destino e por quanto tempo você viajará. Utilizo os saques internacionais como método principal para obter moeda local, mas levo sempre dois cartões de crédito de reserva para eventuais necessidades e compras maiores.



terça-feira, 10 de maio de 2011

Relato de Viagem, Parte 7: O Oceano de Fogo das Dunas do Deserto


Dizer que Merzouga é uma pequena cidade seria exagerar enormemente no seu tamanho. Chamá-la de vila já seria muito. Merzouga é pouco mais do que um grupo de casas baixas, ocres, feitas de barro e com um terraço plano onde os turistas aproveitam a vista e o café da manhã em seus Riads. O turismo é a única razão para a existência desse povoado, e a insistência com que os homens e rapazes oferecem hospedagem, passeios e tudo o mais, reflete esta dependência econômica.

Menos de uma hora após minha chegada apressada ao Riad Mamouche, já estava sentado em um sofá, de banho tomado, enquanto aguardava meu jantar. Surpreendentemente, o sistema de internet sem fio funcionava perfeitamente, apesar de, pela janela, enxergar pouco mais do que areia. Em um espanhol perfeito, o funcionário do Riad explicava os detalhes do passeio ao deserto, que sairia no dia seguinte às três da tarde. Ele falava sete línguas, incluindo o japonês. Mais um retrato da importância do turismo para esse povo berbere.

O jantar estava delicioso e incluía sobremesa, mais uma surpresa agradável neste local tão remoto. Cansado pela longa viagem, logo estava deitado. Adormeci pensando em quanto dependemos da sorte quando estamos viajando. Por mais que nos preparemos, sempre ficamos à mercê da boa vontade de estranhos, ou de acontecimentos aleatórios. Naquele dia, tudo havia corrido conforme o planejado. Rezei para que continuasse assim.

A manhã seguinte foi de repouso e letargia. Mas logo após o almoço já estávamos aos pés de uma duna, grande como uma montanha, chacoalhando sobre um dromedário rumo a um acampamento em pleno Saara. Seriam duas horas e meia até chegarmos às nossas tendas.

O oceano de fogo das dunas do deserto está além de qualquer descrição. As longas sombras projetadas pelo sol do fim da tarde tornavam a paisagem ainda mais bela. Um frenesi fotográfico tentava em vão captar tamanha beleza. Nenhuma câmera conseguiria refletir com precisão as cores do lugar.

Um pouco antes do por do sol atingimos nosso acampamento, cedo o suficiente para subirmos na mais alta duna, de onde pudemos observar o magnífico pôr-do-sol. Do alto da duna se via todo o deserto marroquino, com as montanhas Atlas ao fundo, nos indicando de onde havíamos vindo e para onde iríamos no dia seguinte. Mesmo na imensidão do deserto, não estávamos sozinhos. Alguns outros turistas observavam o mesmo cenário. Do alto da duna, outras barracas eram visíveis, mas estavam estrategicamente posicionadas de forma que não pudessem ser vistas ou ouvidas quando retornássemos ao nosso abrigo.

O jantar foi servido à luz de velas pelo nosso guia, acompanhado do chá de menta tradicional. O silêncio era absoluto e só a nossa voz era ouvida. Fora de nossa tenda, a claridade surpreendia. A luz da lua era suficiente para iluminar mesmo à distância. O frio castigava e se tornava mais intenso a casa hora.

Foi uma noite desagradável. Muito devido ao frio imenso que me impedia de dormir, apesar dos três cobertores oferecidos pelo guia. Um pouco também pela minha falta de preparo, já que estava apenas com uma calça jeans e um casaco, evidentemente insuficientes para o inverno no deserto.


De acordo com o roteiro, o guia deveria nos acordar ao final da madrugada, para que testemunhássemos a aurora. Não foi o que ocorreu. O sol já estava no horizonte quando despertei. Hassan, o guia, dormia profundamente quando passamos pela sua tenda, caminhando em direção a uma duna um pouco mais alta. Mesmo tendo perdido o nascer do sol, a paisagem era muito bela. As cores da manhã, mais suaves, eram bem diferentes do tom dourado do fim de tarde. 

 
Já passava das nove horas quando Hassan apareceu, sonolento, e afirmou que devíamos partir, pois estávamos atrasados. As duas horas e meia do retorno à Merzouga foram semelhantes às do dia anterior, apesar da mudança na paisagem. O encanto com a visão do infinito deserto e a compulsão por fotos e vídeos foram os mesmos. Logo estávamos de volta ao nosso Riad, onde o café já nos esperava no terraço.


(Este post é a sétima parte do relato da minha viagem ao Marrocos, em janeiro de 2011. Acompanhe os trechos anteriores em meus posts mais antigos, e fique atento às novas atualizações)



segunda-feira, 9 de maio de 2011

O sexto erro: não veja o mundo pela lente da sua câmera

Após a publicação do post contendo os cinco principais erros cometidos pelos mochileiros de primeira viagem, fui alertado por um amigo, ele mesmo um viajante iniciante, sobre a ausência na lista de um dos maiores erros cometidos por turistas de todo o mundo. É um erro tão comum que costuma passar despercebido até mesmo por viajantes experientes: observar o seu destino pelo visor da uma câmera.

Ora, quem nunca foi tomado pela emoção ao observar uma paisagem magnífica ou uma cena tão incrível que não conseguia parar de tirar fotos ou de filmar? As mãos parecem grudadas na câmera, o dedo indicador em frenesi aperta botões em seqüência, enquanto a mente viaja, pensando nas histórias que serão contadas aos amigos quando a viagem chegar ao fim. É ainda pior quando as fotos viram filmes, e você passa a acompanhar as imagens pela pequena tela de LCD, como um cineasta hipnotizado. Mas não há filme ou foto que capture a magia do que você observa. E, nessa angustia de registrar tudo, o viajante acaba perdendo o foco e a oportunidade de viver o que de fato presencia.

Eu concordo que as fotos são fundamentais. As milhares de imagens que trago comigo a cada viagem comprovam isso. Mas devemos tomar cuidado para não virarmos reféns delas. Mais do que qualquer máquina, nossa mente sabe captar os momentos inesquecíveis.

Diante da magia azul de uma geleira na Terra do Fogo, ou testemunhando o cenário surrealista do Salar de Uyuni, deixe a câmera de lado por um instante e aprecie a paisagem.



domingo, 8 de maio de 2011

Dica de Leitura III - Paul Theroux

Livros de viagens e aventuras sempre foram minha paixão. Se, por acaso, esbarro em algum numa livraria ou sebo, não perco a oportunidade de acrescentá-lo a minha coleção. Já li e reli, desde os famosos livros de Amyr Klink, até os escritos históricos de Fernão Mendes Pinto relatando suas viagens pelo mundo português no século XVI. O primeiro livro, entretanto, a aguçar minha paixão por viagens foi escrito por Paul Theroux em 1988, e é intitulado “Viajando de Trem Através da China” (Riding the Iron Rooster, no original). Um presente de meu avô, este livro despertou em mim o desejo de viajar, de conhecer o mundo, e não retornar.

Paul Theroux é um dos maiores escritores da atualidade. Obteve destaque internacional como autor de relatos de viagens a partir de 1975, com a publicação de sua maior obra: O Grande Bazar Ferroviário (The Great Railway Bazaar, no original), onde faz um relato de sua viagem de quatro meses pela Ásia, sempre de trem, saindo de Londres, passando pelo leste europeu, Oriente Médio, sul e sudeste asiáticos, indo até o Japão e retornando pela Rússia até ao seu ponto de origem.

Desde o sucesso deste seu primeiro relato, Paul Theroux vem escrevendo diversos outros livros, incluindo uma obra relatando sua aventura pelas Américas, chamada “The Old Patagonian Express” (1979).  Outra grande obra desse autor foi lançada em 2002, com o título “Dark Star Safari”, e relata uma viagem do Cairo à Cidade do Cabo de trem, ônibus, carro e até como parte de um comboio armado. Em 2006, refez a famosa viagem relatada em sua grande obra, 33 anos após a viagem original, descrevendo essa nova aventura no livro “Ghost Train To The Eastern Star” (2008).

Seu estilo é ácido e crítico, carregado de adjetivos e impressões pessoais. Suas descrições são detalhadas, vívidas e reais, fazendo com que o leitor saboreie cada momento de seu trajeto. É difícil escolher apenas uma obra deste autor para recomendar. Talvez seja melhor começar com a sua primeira e grande obra do gênero. Mas qualquer outra escolha seria igualmente correta.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Não caia nessa: os cinco maiores erros dos mochileiros de primeira viagem

Nas minhas primeiras viagens eu cometi muitos erros que agora parecem bastante óbvios. Mas, conversando com outros viajantes, notei que esses equívocos são bem mais comuns do que eu imaginava, e muitos acabam repetidas vezes caindo nas mesmas armadilhas do que eu.

Então, para tentar ajudar um pouco, elaborei uma relação dos cinco principais erros cometidos por mochileiros de primeira viagem:

1 – Tentar ver tudo em pouco tempo

Se você tentar ver 15 países em um mês, acabará não conhecendo nenhum. Esse é o principal erro de quem viaja pela primeira vez, principalmente quem vai à Europa, onde a proximidade entre os países parece ser uma tentação grande demais para se resistir.

Mesmo com as distâncias curtas entre as cidades, não tente ver três ou quatro países se você dispõe apenas de duas semanas de férias. Acredite, é bem mais recompensador conhecer um ou dois países de cada vez, em um ritmo que te permita absorver a cultura local e entender o povo que você está visitando. E não negligencie as pequenas cidades, é exatamente lá que você conhecerá a verdadeira cultura local.

Levando em consideração o tempo gasto com o transporte e ainda o deslocamento entre o hotel e a estação de trem ou aeroporto, você poderá acabar gastando boa parte do seu tempo carregando sua mochila de lá para cá, sem aproveitar de verdade as cidades que estiver visitando.

Lembre-se: dificilmente essa será a sua última viagem, e você terá outras oportunidades para conhecer novos lugares.


2 – Carregar o mundo na sua bagagem

Você provavelmente já ouviu aquela velha dica: separe tudo aquilo que você acredita que vá precisar na viagem e coloque metade disso na sua mala. Realmente, é fundamental manter a sua mochila leve. Pense nos descolamentos entre as estações de trem e o seu albergue. E pense nos quarteirões íngremes que terá que percorrer em sua visita à Cuzco, por exemplo. Acho que você concordaria em deixar em casa aquele casaco ou vestido que não tem certeza se vai usar.

Lembre-se que provavelmente comprará coisas ao longo da viagem, então não saia de casa com a mochila cheia. Você precisará de espaço!

Ah, e moderação nos calçados: eles ocupam mais espaço do que você imagina! Um ou dois pares são mais do que suficientes para uma viagem de um mês.


3 – Planejar demais e reservar tudo antecipadamente

Com milhares de sites e fóruns na internet, meia dúzia de guias e inúmeras revistas e programas de TV, o que não falta são fontes de informação para se planejar uma viagem independente.

Com o dia da viagem chegando, você provavelmente sentirá a tentação de planejar tudo com antecedência, em todos os detalhes possíveis. Mas, se reservar as suas primeiras noites de hotel na cidade de sua chegada é uma boa idéia, pagar todas as suas acomodações e tours antes mesmo de sair de casa te causará muitas complicações.

Você conhecerá pessoas ao longo de sua viagem que te darão dicas de lugares incríveis para visitar ou hotéis imperdíveis onde se hospedar. Então, deixe espaço na sua agenda para alguma espontaneidade e para imprevistos. Eles são a alma de uma viagem.

Isso sem falar nos preços, é claro. No caso de tours e passeios, é provável que saiam mais em conta se reservados diretamente no destino. Com menos intermediários, você economizará uns preciosos dólares!


4 – Escolher a companhia errada.

Existe um ditado árabe que diz: escolha o companheiro de viagem antes do destino. E isso é uma grande verdade. Viajar com outra pessoa por um longo período de tempo pode ser uma tarefa bastante complicada. Portanto, não se apresse e escolha alguém que tenha os mesmos interesses e uma personalidade compatível com a sua. Uma escolha errada pode comprometer muito da sua diversão! E não é um erro facilmente corrigível.

Se não encontrar alguém, não há necessidade de abandonar os seus planos de viajar. Apesar de a idéia ser um pouco assustadora para alguns, viajar sozinho pode ser muito divertido, e te dará oportunidade de conhecer novas pessoas ao longo do caminho. Na verdade, viajando sozinho você conseguirá submergir ainda mais na cultura local!


5 – Não interagir com o povo local.

Esse é um erro muito comum até mesmo com viajantes experientes. Viajando em dupla ou em grupo, a pessoa tende a se isolar e relacionar apenas com os seus companheiros de viagem, não deixando muitas oportunidades para interagir com o povo local. Para conhecer verdadeiramente um país, tente puxar conversa com os companheiros de cabine durante as viagens de trem, ou mesmo com alguém parado ao seu lado no ponto de ônibus. São excelentes formas de conhecer em primeira mão os habitantes do local que estiver visitando.

Mesmo viajando sozinho, às vezes o viajante se encontra com outros nos albergues e hotéis, e passa a conviver com esse grupo nos passeios, nas refeições ou durante as aventuras noturnas. Apesar de ser muito divertido, não deixe que isso lhe isole dos verdadeiros habitantes do país, afinal são eles que você quer conhecer!


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dica de Filme III - A Caminho de Kandahar (2001)

Dando continuidade à nossa série de filmes relacionados à viagem ou que retratem de forma interessante os diversos povos e culturas, trago mais uma sugestão para esse fim de semana: A Caminho de Kandahar (2001).

Entitulado Safar é Ghandehar no original, é uma co-produção iraniana e francesa, dirigida pelo iraniano Mohsen Makhmalbaf e que se passa no Afeganistão durante o domínio do Talibã.

O filme conta a história de Nafas (bela atuação de Niloufar Pazira), uma jovem afegã que fugiu de seu país em meio à guerra civil do Talibã e trabalha como jornalista no Canadá. Sua irmã mais nova, que ficou no Afeganistão, um dia lhe envia uma carta avisando que irá se suicidar antes da chegada do próximo eclipse solar. Nafas resolve retornar ao Afeganistão a fim de tentar salvá-la.

A produção foi apresentada no Festival de Cannes em 2001, porém foi recebida sem muito entusiasmo. Após o atentado às Torres Gêmeas e com o subseqüente foco mundial no Afeganistão, ganhou muito mais destaque. A obra acabou recebendo o Prêmio Frederico Fellini, oferecido pela UNESCO.

Com apenas 85 minutos de duração, e com um ritmo narrativo um pouco lento, pode não agradar a todos. Entretanto, pela forma suave com que retrata a cultura afegã, o filme se torna bastante interessante.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tripadvisor diz que Cidade do Cabo é o principal destino de 2011. Rio de Janeiro é o quinto lugar

O conceituado site Tripadvisor divulgou ontem o resultado de uma pesquisa elaborada junto aos seus usuários cadastrados (eu mesmo sendo um deles!), apontando os 25 melhores destinos do mundo em 2011. Esse é o terceiro ano consecutivo em que essa pesquisa, denominada Traveller’s Choice, é divulgada. No total, 337 locais receberam votos, e o site publicou os 25 primeiros lugares.

Segue abaixo a relação dos vencedores. E você, concorda com o resultado? Sentiu a ausência de algum lugar? Comente!

1 – Cidade do Cabo, África do Sul

Cidade do Cabo brilha no extremo sul da África. Atrações como a famosa Table Mountain (ou Montanha da Mesa, devido ao ser formato característico), o Parque Nacional do Cabo da Boa Esperança e a emocionante Robben Island, onde Nelson Mandela foi cativo por tantos anos, tornam essa bela cidade um destino incrível.



2 – Sidnei, Austrália

Amantes da cidade grande, fãs de atrações culturais e mesmo quem apenas quer curtir uma praia, todos se apaixonam por Sidnei. Aproveite a famosa Bondi Beach ou então passeie na mais calma Coogee Beach. Você também vai encontrar excelentes oportunidades para compras no Rocks District ou então nas proximidades das Ruas George e Pitts.  Suba a Harbour Bridge ou então de deslumbre com a vista do alto da Sydney Tower. Mas não vá embora sem uma visita ao zoológico, para conhecer os famosos koalas!

3 – Machu Picchu, Peru

Machu Picchu é a mais famosa atração do Peru e isso não é por menos. Datada de meados do século VX, é uma das maravilhas feitas pelo homem e se encontra incrivelmente preservada. Aprecie a enorme capacidade arquitetônica desse povo, com seus blocos entalhados na pedra, incrivelmente encaixados e que resistem impunemente à ação do tempo. Você pode chegar lá de trem a partir de Cuzco, em uma viagem belíssima. Ou então vá pela famosa Trilha Inca, uma inesquecível caminhada de vários dias!

4 – Paris, França

Todos que visitam a famosa capital francesa pela primeira vez conhecem a famosa lista de atrações a conhecer: o Louvre, Notre Dame, a Torre Eiffel, etc. Mas não deixe a cidade sem caminhar pelos seus famosos boulevards e sem saborear as delícias de alguns dos muitos cafés. Ah, e não esqueça das compras, é claro!



5 – Rio de Janeiro, Brasil

A capital do turismo brasileiro é uma das principais cidades do mundo quando falamos em turismo. Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas se aproximando, esse interesse tende a crescer ainda mais. A incrível vista do Pão de Açúcar e do Corcovado, as mundialmente famosas praias de Copacabana e Ipanema, o Estádio do Maracanã, o carnaval de rua e no Sambódromo, etc. A cidade oferece tudo o que qualquer viajante procura, e o suficiente para deixar qualquer turista ocupado por uma semana ou mais!





6 – Nova Iorque, EUA
7 – Roma, Itália
8 – Londres, Inglaterra
9 – Barcelona, Espanha
10 – Hong Kong, China
11 – Kioto, Japão
12 – Queenstown, Nova Zelândia
13 – Jerusalém, Israel
14 – Siem Reap, Cambódia
15 – Praga, República Checa
16 – Veneza, Itália
17 – Buenos Aires, Argentina
18 – Ko Phi Phi Dan, Tailândia
19 – Honolulu, Havaí
20 – São Petersburgo, Rússia
21 – Florença, Itália
22 – Grand Cayman
23 – São Francisco, EUA
24 – Petra, Jordânia
25 – Las Vegas, EUA