terça-feira, 19 de abril de 2011

Marraquexe e uma introdução ao Marrocos


Marraquexe talvez não seja a melhor opção de um viajante para uma introdução ao Marrocos. O labirinto de ruelas da Medina, tomado por uma multidão apressada, por mulas, carroças e uma infinidade de motocicletas provavelmente será um pouco demais para um turista iniciante. E a insistência dos vendedores, que tomam quase todos os espaços, certamente não proporciona um passeio tranqüilo ao final da tarde. Isso sem mencionar os encantadores de serpentes, macacos amestrados, contadores de histórias e outros seres que parecem retirados de um conto de fadas.
 A maioria dos turistas e viajantes, entretanto, inicia seu roteiro com uma visita a mais famosa das cidades marroquinas. Normalmente por uma questão prática: a boa oferta de vôos baratos para a cidade.  No meu caso não foi diferente. E os quatro dias que passei em Marrakesh acabaram servindo para uma abrupta adaptação à realidade berbere. Utilizando o Riad em que estava hospedado como uma espécie de bunker, realizava rápidas saídas pela Medina, sempre retornando ao hotel quando a confusão parecia demais para mim. Assim, fui me acostumando aos poucos a esse cenário tão diferente do que havia encontrado em outros países.
As melhores lembranças que ficaram de Marraquexe certamente foram das noites na Praça Djemaa El-Fna, quando jantamos em algumas das inúmeras barracas que tomam o local após o pôr-do-sol. Os tajines e o couscous sempre eram saborosos e não custavam mais do que três euros. E o suco de laranja estava sempre disponível, por menos do que cinqüenta centavos. Para aproveitar, entretanto, tem que se abstrair de um simples detalhe: higiene. Mas, se isso for um fator importante, então o Marrocos não é o seu lugar...
Além da praça, são as inúmeras lojas que compõem os Souks a outra grande atração do local. Nesses pequenos negócios, insistentes vendedores fazem de tudo para vender uma enorme gama de produtos, de lanternas e luminárias a aparelhos de chá, sandálias, tecidos, e tudo aquilo que faz parte do imaginário ocidental quando se idealiza um mercado marroquino. Mesmo consciente da necessidade de se barganhar muito, uma coisa é certa: você será enganado. A minha rotina marroquina consistia em comprar um item por um valor que considerava baixo, após negociar o preço por mais de quinze minutos, e encontrá-lo na próxima esquina por menos da metade do que tinha acabado de pagar!
Marraquexe tem ainda outras atrações que me mantiveram ocupado nos quatro dias que estive na cidade. Logo chegou o momento de me dirigir à estação para tomar o ônibus que me levaria à cidade de Essaouira, segunda parada desta viagem. Seria um trajeto rápido, de menos de três horas. Saindo pela manhã cedo (após mais uma rodada de negociações com motoristas de taxi), antes do meio dia estava desembarcando.

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