sexta-feira, 22 de abril de 2011

Essaouira, a Pérola do Atlântico

O ônibus me deixou a alguns metros da entrada da medina, nesta bela cidade costeira do Marrocos. Em pleno inverno, a cidade estava um pouco vazia, apesar da temperatura agradável, em torno dos 15 graus, e do belo dia ensolarado. Logo, algumas senhoras vieram me oferecer acomodação, o que destoava um pouco do que havia observado em Marraquexe, onde apenas dos homens cumpriam essas tarefas. Mas, como já havia providenciado uma reserva, fui caminhando em direção ao hotel Atlas.
No trajeto, fui observando a beleza da costa, com sua longa praia de areias douradas, observada a distancia pela bela fortaleza e pelas muralhas que demarcavam a fronteira entre cidade antiga e as novas construções. O vento soprava forte e constantemente, o que faz desse local um dos melhores do mundo para a prática de windsurfe. As velas coloridas contrastavam com a visão monocromática da medina, compondo um belo cenário para uma caminhada.
Essaouira, também conhecida como “Pérola do Atlântico” e declarada Patrimônio da Humanidade, é uma cidade histórica. O esplendor desta cidade tem origem na Civilização Fenícia. Estes foram logo seguidos pelos romanos, cartagineses, berberes, portugueses e, por fim, pelos franceses. Lá termina o Mediterrâneo e começa o oceano: é a última fortificação com muralhas nas margens atlânticas, cujas casas parecem irmãs das dos "pueblos blancos" da Andaluzia.
Simples, despretensiosa, e bem mais calma que sua irmã em Marraquexe, a minúscula medina de Essaouira é composta por um conjunto de pequenos edifícios pintados de um branco imaculado, pontuados pelo azul-marinho das portadas das janelas. Ruas estreitas e angulosas procuram proteger os moradores dos fortes e constantes ventos alísios vindos do Atlântico, que se entranham no recato dos lares muçulmanos. No cais, a pesca mantém-se quase inalterada há séculos. 

Para um viajante recém-chegado da loucura de Marraquexe, Essaouira era uma bem-vinda brisa de tranqüilidade. Sentado à beira-mar e observando os belos barquinhos azuis, tão característicos da cidade, senti que Essaouira poderia ser a mais agradável parada desta minha jornada. Há algo nas pequenas cidades costeiras que transmitem certa tranqüilidade e a impressão que o mundo gira em um ritmo mais lento. E, naquele momento, era exatamente o que eu precisava para recarregar minhas energias e me preparar para a longa jornada de carro que me levaria através das montanhas Atlas, até o deserto marroquino.


(Esse post é a terceira parte do relato da minha viagem ao Marrocos, em janeiro de 2011. Acompanhe os trechos anteriores em meus posts mais antigos, e fique atento às novas atualizações)

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