BAMAKO - Tropas francesas e forças do Mali retomaram nesta
segunda-feira o aeroporto e as principais localidades Timbuktu, uma cidade
estratégica no norte do país e reconhecida como patrimônio da humanidade pela
Unesco. A operação, realizada por forças terrestres, começou no domingo e
terminou durante a madrugada. Radicais islâmicos que dominavam a área fugiram
com a chegada dos militares. No entanto, dias antes queimaram uma importante
biblioteca, que guardava centenas de manuscritos centenários, segundo a
prefeitura local.
- Os radicais colocaram fogo no Instituto Ahmed Baba. Isso
aconteceu há quatro dias - disse o prefeito, Halle Ousmane, à agência Reuters.
Ousmane acrescentou que a região foi tomada no dia 1° de abril de
2012, quando radicais o expulsaram da cidade e queimaram seu escritório e a
casa de um parlamentar. O Instituto Ahmed Baba é uma das mais importantes
bibliotecas de Timbuktu e abrigava milhares de documentos frágeis, os mais
velhos datados do século XIII. Muitos eram guardados no subsolo e podem ter
sido salvos, segundo autoridades. Ainda não há dados precisos sobre o quanto o
edifício foi danificado e quantas obras foram perdidas.
Sem disparar um tiro para deter radicais, cerca de mil soldados
franceses, incluindo paraquedistas e 200 soldados malineses, tomaram o
aeroporto e cercaram a cidade centenária do Rio Níger, buscando bloquear a fuga
de combatentes aliados à al-Qaeda.
Os militares chegaram à área no domingo, enquanto aviões franceses
bombardeavam Kidal, território que está nas mãos de radicais desde março de
2012. Como a resistência dos extremistas não tem sido expressiva, autoridades
temem que muitos tenham fugido para o deserto e estejam à espera de uma
oportunidade para invadir novamente o local.
Enquanto isso, tuaregues do MNLA anunciaram ter expulsado os
islamistas de Kidal, que seria o último bastião extremista, mas não há
confirmação independente desse relato. No entanto, as perspectivas da França em
relação à investida no aliado africano são positivas.
- Pouco a pouco, o país está sendo libertado - disse o chanceler
francês, Laurent Fabius, em entrevista nesta segunda-feira à emissora France 2.
A mítica Timbuktu, famosa por seus centenários mausoléus, foi
declarada patrimônio da humanidade pela Unesco e passou dez meses sob o
controle de extremistas, que aplicavam de forma rigorosa sua interpretação da
lei islâmica, a sharia. Eles destruíram grande parte das estruturas históricas
da cidade.
Timbuktu é um reduto sufista - uma corrente mais mística da
religião de Maomé - tendo sido um importante centro de propagação do Islã pela
África nos séculos XV e XVI. O grupo salafista Ansar al-Din, no entanto,
condena a idolatria e outras práticas da tradição sufista, classificadas como
heresia, o que justifica os ataques contra o complexo de templos.
No sábado, forças no Mali tomaram o aeroporto e a ponte de Wabary,
sobre o rio Níger, no reduto islâmico de Gao, a 1.200 km a nordeste da capital
Bamako. O anúncio, feito de Paris, mostrou que as unidades francesas e
malineses estão fazendo um rápido progresso em sua ofensiva no nordeste contra
a coalizão de grupos islâmicos.
Durante duas semanas, jatos e helicópteros franceses foram
desapropriando os islâmicos que recuavam, destruindo seus veículos, postos de
comando e depósitos de armas.
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Comentário: O avanço das tropas francesas é um alívio para todos aqueles que
se importam com a preservação das maravilhas históricas malinesas e do seu
povo. Mas pode ter sido tarde demais para salvar os tesouros de Timbuktu. Uma
perda irrecuperável para a humanidade.